Governo contrata termelétricas a óleo combustível e diesel em leilão

Foto: Anthony Maw/Unsplash

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23 Março 2026

Dos cerca de 500 megawatts contratados na 2ª etapa do leilão de capacidade, mais de 80% virão de usinas a combustíveis fósseis.

A informação é publicada por ClimaInfo, 22-03-2026.

A 2ª etapa do leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de 2026, promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), sujou mais um pouco a matriz elétrica brasileira. Na 6ª feira (20/3), foram contratados 501 megawatts (MW) de potência de termelétricas. Desse total, mais de 80% virão de usinas movidas a combustíveis fósseis: 383 MW a óleo diesel e 20 MW a óleo combustível. Os 98 MW restantes são de térmicas a biodiesel.

Para o início do suprimento em 1º de agosto de 2026, foram contratados 228 MW, provenientes de uma usina a óleo combustível e de duas a óleo diesel. A receita fixa associada é de R$ 111,6 milhões por ano. Os projetos vencedores pertencem a CEP, Petrobras e UTE Xavantes, localizados em Pernambuco, no Rio Grande do Sul e em Goiás, respectivamente. Os contratos têm duração de três anos, informa o Canal Solar.

Para o início do suprimento em 1º de agosto de 2027, apenas a UTE Termoceará, da Petrobras, foi contratada. A usina, movida a diesel, ofertará 175 MW de potência, com receita fixa anual de R$ 76,98 milhões. O contrato também terá duração de três anos.

Para o início do suprimento em 1º de agosto de 2030, foram contratadas duas usinas de biodiesel: Petrolina Bio e UTE Bio Xavantes, localizadas no Pernambuco e em Goiás, respectivamente. Juntas, as unidades somam 98 MW de potência, com receita fixa anual de R$ 41,2 milhões. Os contratos terão vigência de dez anos.

Na 4ª feira (18/3), a primeira etapa do LRCAP já havia emporcalhado a matriz elétrica nacional com térmicas a gás fóssil e a carvão. Dos 19 gigawatts (GW) de disponibilidade de potência contratados, cerca de 16,7 GW são de usinas a gás e a carvão, e 2,3 GW, da ampliação de hidrelétricas. Os vencedores terão direito a uma receita fixa anual de R$ 39 bilhões, pela disponibilidade de potência ao sistema – custo que baterá nas nossas contas de luz e que pode aumentar se essas usinas forem acionadas para produzir eletricidade.

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) e a Abrace, entidade que reúne grupos empresariais responsáveis por quase 40% do consumo industrial de energia elétrica no país, alertaram que o volume contratado no leilão foi superior ao necessário e que houve baixíssima competição. Além disso, estimaram um impacto de cerca de 10% na tarifa média de eletricidade.

Vale lembrar que boa parte das usinas a gás que operam no país depende da importação desse combustível fóssil na forma liquefeita (GNL). A guerra no Oriente Médio fez os preços do GNL dispararem, já que o maior produtor mundial é o Catar, cuja estrutura produtiva foi afetada em quase 20% por bombardeios.

Com a aposta em termelétricas a combustíveis fósseis, o Brasil fica vulnerável a crises internacionais no mercado de petróleo e gás. Enquanto isso, a contratação de sistemas de armazenamento de energia segue no papel, enquanto usinas eólicas e solares têm sua geração elétrica limitada.

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