15 Março 2026
"Aprender a ver, sair do autocentramento é a lição de Jesus no Evangelho de João (9, 1-41), lido hoje em milhares de comunidades do planeta".
O comentário é de Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ.
Segundo ele, "José Saramago (1922-2010), autor de "Ensaio sobre a cegueira", diz que "é preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós". Profético em relação a esse mundo de mísseis destruindo cidades e matando crianças, completou: "a cegueira também é isto, viver num mundo onde se tinha acabado a esperança".
Eis o comentário.
Quando nascemos, pouco enxergamos. Só o tempo vai ampliando a nossa visão. Ou não...
Aprender a ver, sair do autocentramento é a lição de Jesus no Evangelho de João (9, 1-41), lido hoje em milhares de comunidades do planeta.
O Nazareno percebe um pedinte, cego de nascença, em seu caminho. Não lhe é indiferente, dá atenção e carinho. Quantos, em nossa sociedade, estão jogados na invisibilidade?
Jesus não faz um "milagre" retumbante, de "marketing", mas um gesto amável: passa nos olhos do até então desprezado a argila feita com sua saliva e barro. A natureza e o amor curam!
O Mestre da solidariedade, porém, não dispensa o rito: "Vá lavar-se na piscina de Siloé", sugere ao mendigo. Este cumpre e retorna eufórico: enfim podia ver as cores e o claro do dia!
Jesus questiona as trevas do preconceito e do medo conformista de seus discípulos, dos vizinhos e dos pais do cego, que consideravam qualquer deficiência como "castigo divino". Causa espanto ao afirmar que "as obras de Deus" se manifestam sobretudo nos desvalidos!
Ele também não se prendia a normas tolas para deixar de fazer o bem. Ganhou o ódio dos hipócritas do Templo: "Este homem não pode vir de Deus, pois não guarda o sábado!".
Assim, o marginalizado que tivera a visão restaurada foi insultado e expulso da sinagoga pelo olhar obscuro dos "doutores da lei", que exigiam credenciais. Cheios de inveja e empáfia, afirmavam "não saber de onde vem esse homem", referindo-se a Jesus de Nazaré.
Não podiam aceitar perder o controle sobre a vida e a visão de ninguém de seu "rebanho"...
Também nós precisamos nos emancipar e reaprender a olhar, indo além das aparências.
Nunca aceitar a cegueira imposta pelas mentiras da "midiosfera". Ter um olhar crítico sobre as falsas narrativas que infestam o mundo virtual (pouco virtuoso) e as redes antissociais, fábricas de falsidades e perversões.
José Saramago (1922-2010), autor de "Ensaio sobre a cegueira", diz que "é preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós".
Profético em relação a esse mundo de mísseis destruindo cidades e matando crianças, completou: "a cegueira também é isto, viver num mundo onde se tinha acabado a esperança".
Como o cego de nascença que passou a enxergar, abramos os olhos para ver a realidade, com suas sombras de misérias e maldades. Mas também, vislumbrando as possibilidades de luz, mudar o que vemos.
Amém!
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