A máfia que tinha um banco, o Master, sumiu com o dinheiro e comprava a República. Artigo de Vinicius Torres Freire

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Mais Lidos

  • A Europa é arrastada para operações militares em uma guerra que considera ilegal

    LER MAIS
  • “Muitos homens pensam que perder a dominação sobre as mulheres é uma perda da sua própria masculinidade, o que não é verdade. Um homem pode ser homem, ter seus valores e nem por isso precisa dominar mulheres, crianças ou pessoas de outras etnias”, diz a socióloga

    Feminicídio: “A noção de propriedade é profunda”. Entrevista especial com Eva Alterman Blay

    LER MAIS
  • Trump enfrenta uma guerra mais longa do que o esperado no Irã, com problemas no fornecimento de munição e armas

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Março 2026

Após alerta do Banco Central, PF acusa altos burocratas do BC de levar propina de Vorcaro. Funcionários do BC assessoravam Master e pareciam ricos demais para o salário.

O artigo é de Vinicius Torres Freire, jornalista, publicado por Folha de S. Paulo, e reproduzido no Facebook de André Vallias, 05-03-2026.

Eis o artigo.

O Banco Master era a fachada de uma máfia comandada por Daniel Vorcaro. Qualquer autoridade da República que crie empecilhos para a investigação do Master é conivente com a máfia. No pior dos casos, é também beneficiário da organização criminosa, empregado dos mafiosos ou cúmplice.

Segundo acaba de se saber pela Polícia Federal, Vorcaro tinha capangas para espionar e ameaçar concorrentes e jornalistas. Mandou pagar propina aos dois chefes da supervisão bancária do Banco Central, que davam assessoria para escamotear irregularidades e deram ajuda para tirar Vorcaro da prisão.

Foram flagrados, além desses motivos, porque pareciam ricos demais para o salário, segundo apurações do BC. Descobriu-se também como o Master sumiu com mais R$ 2,24 bilhões, outra vez pela Reag, grande ninho dos fundos bandidos (o rolo era só ali?).

Essas são as últimas. Já sabemos de mais. Mas nada se sabe ainda de concreto sobre mãos e braços políticos de Vorcaro ou sobre os motivos de sua amizade com o centrão, em particular no PP, o Progressistas, dos deputados Doutor Luizinho (RJ) e Claudio Cajado (BA) e do senador Ciro Nogueira (PI), por exemplo, e no Distrito Federal governado por Ibaneis Rocha (MDB).

O Master era uma ficção. Seus ativos eram superestimados e ilíquidos (não virariam dinheiro logo e sem custo) ou mera ficção fraudulenta, como os créditos que vendeu ao BRB.

Os ativos de fantasia falsificavam a saúde do banco e, pois, permitiam que pegasse dinheiro emprestado (como CDBs), que então escorria para empresas de fachada, laranjas, fundos de propriedade secreta, parentes de Vorcaro e sabe-se lá quais beneficiários. Quais?

O esquema contava com apoio no Congresso (no mínimo), alugava lobistas de nível ministerial e escritórios supremos de advocacia, tinha sociedades ou negócios com gente poderosa (Dias Toffoli ou Nelson Tanure) e subornava altos burocratas do BC, segundo as investigações.

No grupo de WhatsApp "A Turma", Vorcaro coordenava capangas, espiões, subornos e intimidações; de resto, tinha uma zona de confraternização de poderosos em uma casa de Trancoso (BA).

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), barram uma CPI sobre o caso ou criam dificuldades para a CPI do Crime Organizado, que tenta ser uma alternativa à CPI do Master.

Qualquer leitor de jornal sabe disso, que a máfia alugava ou comprava apoios de variada espécie e poder e, agora, que corrompia gente do BC. O acordão ainda tenta abafar o caso, apesar de investigações da PF, ora liberadas por André Mendonça, e do BC. O país, sem ação, é refém da máfia, por interpostas pessoas na cúpula da República.

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Master. Dias depois, começou a investigar o processo inteiro que, no final das contas, permitiu a sobrevida de um banco fictício como o Master. Era uma investigação administrativa. Havia indício de mais, porém.

Belline Santana, chefe do departamento de Supervisão Bancária do BC, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto, foram afastados dos cargos. Em janeiro, o BC passou os indícios para a Polícia Federal e avisou a CGU (Controladoria-Geral da União).

Souza foi diretor de Fiscalização do BC, de 2017 a 2023 — assim também votava nas decisões do Copom sobre juros. É gravíssimo. Quando se puxa uma pena, não vem uma galinha, vem um avestruz. O que mais, onde? Apenas a delação de Vorcaro vai resolver?

Leia mais