06 Março 2026
Tanto os emires quanto o Pentágono ignoraram a lição de Kiev, deixando instalações estratégicas sem proteção próxima.
A informação é de Gianluca Di Feo, publicada por La Repubblica, 06-03-2026.
Só existe um antídoto para deter os drones iranianos, e os detentores dessa fórmula exclusiva são os ucranianos. Eles a desenvolveram através do sofrimento, lutando para repelir ondas de bombas voadoras projetadas por engenheiros de Teerã e cedidas a Moscou: os primeiros Shaheds surgiram no verão de 2022, depois os russos os aprimoraram e agora os produzem em massa na fábrica de Alabula, a maior do mundo, chamando-os de Geran.
Por mais de um ano, quase todas as noites, as defesas antiaéreas de Kiev têm enfrentado ondas de quatrocentos Shahed-Gerans de cada vez, um enxame assassino que opera em sincronia com mísseis balísticos e de cruzeiro. A Guarda Revolucionária, por sua vez, faz o mesmo com salvas muito menores, que, no entanto, estão prejudicando as economias das monarquias do Golfo e causando sérios problemas também para os americanos.
Tanto os emires quanto o Pentágono ignoraram a lição de Kiev, deixando instalações estratégicas como portos, aeroportos, refinarias e usinas de energia sem proteção adequada. Os americanos chegaram ao ponto de expor ao fogo os equipamentos eletrônicos mais caros do planeta, instalados no Catar e no Bahrein.
Os ucranianos, no entanto, sabem como deter a chuva de drones: possuem as ferramentas para detectar as minúsculas aeronaves de fibra de vidro que escapam dos radares projetados para detectar grandes caças-bombardeiros. E sabem como abatê-las. Podem recomendar as melhores armas testadas em campo — como os canhões de disparo rápido Skynext, de fabricação italiana — e como implantá-las. Além disso, podem fornecer drones antidrone de projeto próprio: dispositivos de baixo custo, concebidos para essa missão específica. As autoridades de Kiev também têm a expertise para coordenar uma defesa antiaérea "multicamadas", que identifica todas as ameaças e seleciona a melhor forma de interceptá-las sem desperdiçar mísseis. Exatamente como fazem os israelenses, mas a um custo cem vezes menor.
Agora há uma corrida para pedir a ajuda deles, na crença de que apenas seus escudos realmente funcionam. O primeiro foi Mohammed bin Salman, em um telefonema com Zelensky. Outros soberanos também estão discretamente tentando envolver equipes antidrone treinadas nas batalhas de Kiev. E estão buscando desesperadamente metralhadoras de disparo rápido prontas para uso. Os britânicos — os únicos na Europa — já tiveram seus especialistas treinados por veteranos ucranianos: esses são os mesmos soldados que foram enviados a Chipre para repelir os atacantes alados do Hezbollah.
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