25 Fevereiro 2026
Uma freira de 82 anos foi brutalmente assassinada no Brasil por um homem desconhecido que invadiu o convento onde ela morava, na cidade de Ivaí, no Paraná. O crime causou grande comoção entre a comunidade ucraniana-brasileira e os moradores da cidade, que tentaram linchar o suspeito.
A reportagem é de Eduardo Campos Lima, publicada por Crux, 23-02-2026.
A irmã Nadia Gavanski, da congregação das Irmãs Servas da Imaculada Maria da Igreja Greco-Católica Ucraniana, estava alimentando as galinhas da casa religiosa quando se deparou com o intruso.
Segundo um boletim de ocorrência obtido pelo Crux, uma fotógrafa estava presente no mosteiro para registrar um evento e viu o homem logo após o crime. Ele disse que trabalhava lá, mas ela percebeu que ele estava agitado e tinha marcas de sangue nas roupas.
O criminoso disse à fotógrafa que viu Gavanski caído no chão. Ela desconfiou do homem e o filmou secretamente. Também chamou uma ambulância e a polícia, para quem mostrou as imagens.
O suspeito já era conhecido da polícia devido a crimes anteriores e foi facilmente identificado e localizado. Quando os policiais chegaram à sua casa, ele tentou fugir e resistir, mas foi contido pelos agentes. Ele confessou o crime.
Uma foto publicada nas redes sociais pela rádio local Copas Verdes mostra o suspeito de 33 anos sentado na viatura policial com sinais de agressão física.
“Ele foi levado a uma delegacia da Polícia Civil do Paraná, onde confirmou sua declaração inicial. Durante o interrogatório, relatou ter passado a noite consumindo crack e bebidas alcoólicas. Alegou também ter ouvido vozes ordenando que matasse alguém, o que, segundo ele, o teria levado a pular o muro do convento com a intenção de tirar a vida de uma pessoa”, diz o boletim de ocorrência.
O homem contou à polícia que a vítima o viu e perguntou o que ele estava fazendo ali. Ele disse que trabalhava no convento, mas percebeu que ela não acreditou nele.
“O agressor declarou que a empurrou, fazendo com que ela caísse no chão, momento em que ela começou a gritar. Ele declarou que inseriu os dedos da mão direita na boca da vítima, causando asfixia”, diz o comunicado.
O suspeito disse que não atingiu a freira na cabeça, mas admitiu que ela pode ter sofrido ferimentos devido à queda. Ele também negou ter cometido violência sexual e ter a intenção de roubar o mosteiro.
A polícia encontrou o corpo sem vida de Gavanski no chão, parcialmente nu e com evidentes sinais de agressão física. A hipótese de crime sexual será analisada durante a autópsia e as etapas subsequentes da investigação.
O homem foi acusado do crime de homicídio qualificado, com indícios de circunstâncias atenuantes como motivo trivial, asfixia e uso de meios que dificultaram a defesa da vítima, bem como resistência.
Enquanto ele era levado de uma delegacia da polícia militar em Ivaí para a delegacia da polícia civil na cidade vizinha de Imbituva, moradores locais se reuniram em frente ao prédio para linchá-lo.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram dezenas de pessoas esperando a viatura policial sair da delegacia com o suspeito, enquanto gritavam e o insultavam.
"Saia daí, seu velho violador de senhoras!" gritou um dos homens. Outro foi ouvido dizendo: "Você roubou meu filho, sua escória!"
A polícia conseguiu contornar a multidão e levou o homem para a delegacia. Posteriormente, ele foi encaminhado para a prisão.
“Fiquei chocado ao receber a notícia da morte da Irmã Nadia. Estávamos nos preparando para visitar o seminário dos padres da Ordem de São Basílio Magno, juntamente com bispos da Ucrânia e de outros países”, disse ao Crux dom Meron Mazur, da Eparquia da Imaculada Conceição em Prudentópolis, no Paraná.
Nos últimos dias, o Arcebispo Maior dom Sviatoslav Shevchuk de Kyiv-Galícia, Primaz da Igreja Greco-Católica Ucraniana, esteve em visita ao Brasil acompanhado por diversos prelados do rito no Canadá, Alemanha, Polônia e Argentina para o processo sinodal permanente.
Em suas reuniões, um dos temas mais discutidos tem sido a guerra na Ucrânia e os terríveis impactos na vida das pessoas comuns.
A maior parte da comunidade ucraniana brasileira, estimada em 600 mil pessoas, vive no estado do Paraná. Em cidades como Prudentópolis, perto de Ivaí, mais de 80% da população de 52 mil habitantes tem ascendência ucraniana.
Quase 90% dos imigrantes ucranianos que vieram para o Brasil eram originalmente membros da Igreja Greco-Católica Ucraniana, enquanto uma minoria era ortodoxa. Hoje, muitos ucranianos-brasileiros de quarta e quinta geração professam outras religiões, mas a maior parte da comunidade continua católica.
Gavanski nasceu em Prudentópolis em 1943 e tinha sete irmãos. Ela ingressou na Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada em 1971 e trabalhou em diversas comunidades ao longo dos anos.
“A missão da Irmã Nadia na Congregação sempre foi cumprida por meio de um serviço silencioso, simples e humilde: preparar as refeições, cuidar da horta, alimentar as galinhas e manter a rotina diária da casa. Tudo era feito com amor e fidelidade, transformando o ordinário em uma oferta agradável a Deus”, disse a Irmã Juliane Martinhuk, uma de suas colegas, ao Crux.
Anos atrás, Gavanski sofreu um AVC, que afetou sua fala. Martinhuk disse que as limitações não a impediram de permanecer “fiel às suas funções simples”.
“Forte na fé, ela aceitava tudo com serenidade e confiança em Deus. Para nós, irmãs, a Irmã Nadia foi um verdadeiro exemplo de consagração, doação de si e cultivo da vida interior, manifestada nas atitudes concretas do dia a dia”, acrescentou Martinhuk.
Os prelados da Igreja Greco-Católica Ucraniana visitaram o convento das irmãs no dia do assassinato para confortar suas colegas e rezar por ela, disse Mazur.
“Estávamos falando sobre a tragédia da guerra e agora uma tragédia dessas aconteceu. Foi um grande golpe para todos nós”, disse ele. Mazur, que conhecia Gavanski pessoalmente, disse que ela viveu toda a sua vida com humildade e pobreza.
“Ela era uma mulher discreta que dedicou a vida ao trabalho e à oração. Não gostava de ser o centro das atenções”, recordou ele.
Nas redes sociais, muitos moradores da região de Ivaí e Prudentópolis expressaram seu choque. Alguns relembraram o trabalho de Gavanski em suas comunidades.
“Toda vida pertence a Deus. Nossa indignação é grande, mas Jesus ensinou que devemos perdoar. Ninguém pode tirar uma vida. Precisamos erradicar a violência de nossa sociedade, promovendo a paz e o amor”, disse Mazur.
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