#vida bizarra. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Wolfgang Hasselmann/Unsplash

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14 Janeiro 2026

"Mas contra esse pessimismo, também é necessário erguer um muro de contenção, porque a vida, se agarrada com coragem e comprometimento pode se transformar em uma história significativa, na qual o equilíbrio entre luzes e sombras enriquece a experiência, os encontros com os outros geram amor, os eventos são muitas vezes surpresas e a esperança é uma tocha que ilumina o caminho", escreve Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 11-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Que coisa engraçada é a vida - esse arranjo misterioso de lógica impiedosa - visando algum desígnio fútil. O máximo que dela se pode esperar é um certo conhecimento de si mesmo - que chega tarde demais - uma safra de remorsos inextinguíveis.

Também ficou famosa por sua filmagem simbólica no filme Apocalypse Now, de Ford Coppola: o coronel Kurtz é um personagem de indescritível crueldade, mas adorado como um deus pela tribo africana que ele domina, com seu Coração das Trevas. Esse é o título do romance mais famoso, publicado em 1902 pelo escritor polonês, mas de língua inglesa, Joseph Conrad. Relendo-o anos depois, deparei-me com esta amarga descrição da vida: um desperdício de energia para um resultado insignificante, ou seja, o conhecimento de si mesmos e da própria vocação, que, no entanto, chega quando o fio da existência está prestes a se romper. Tudo o que resta é o arrependimento, enquanto as mãos se agarram a sonhos despedaçados e expectativas frustradas. Certamente, há alguma verdade a ser meditada nessas linhas, e a literatura está repleta de semelhantes juízos amargos que veem a vida despencando em direção a um abismo vazio.

Por todos eles, basta citar as terríveis palavras do Macbeth shakespeariano: "A vida não é nada além de uma sombra que anda, um pobre ator que pavoneia e lamuria seu instante no palco ... um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada". Mas contra esse pessimismo, também é necessário erguer um muro de contenção, porque a vida, se agarrada com coragem e comprometimento pode se transformar em uma história significativa, na qual o equilíbrio entre luzes e sombras enriquece a experiência, os encontros com os outros geram amor, os eventos são muitas vezes surpresas e a esperança é uma tocha que ilumina o caminho. É outro personagem famoso que nos conta isso, o Doutor Jivago de Boris Pasternak: "Viver é sempre dar um salto para a frente, em direção a algo maior, em direção à perfeição, jogar-se e tentar alcançá-lo."

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