Deus e dinheiro. Artigo de Giuseppe Lorizio

Foto: Aidan Bartos/Unsplash

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19 Novembro 2025

"Não se trata de demonizar o dinheiro, que, como ferramenta para o benefício das pessoas, deve ser preservado e não desperdiçado. Mas a mensagem que emana dessa iniciativa, aplaudida por representantes das três chamadas religiões monoteístas (embora apenas o catolicismo fale em nome do cristianismo), é escandalosa: seria como dizer que o que une as crenças em um único Deus é o dinheiro", escreve Giuseppe Lorizio, professor de Teologia Fundamental da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma, em artigo publicado por Settimana News, 17-11-2025.

Eis o artigo.

Fiquei chocado e indignado com a notícia veiculada, não por acaso, em um canal da Mediaset, segundo a qual as moedas unem as religiões: "Três fés que vivem sob o mesmo céu — o de Abraão — em nome da fraternidade, da paz e do diálogo inter-religioso. Unidas pela emissão extraordinária de um tríptico de moedas, emitido pelo Ministério da Economia e Finanças e cunhado pelo Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, que celebra a frutífera coexistência do cristianismo, do judaísmo e do islamismo na cidade de Roma. Presta também homenagem a três grandes locais de culto: a Basílica de São Pedro, a Grande Sinagoga de Roma e a Grande Mesquita de Roma. Um projeto com profundo significado: as moedas retratam o céu estrelado, recordando o sonho de Abraão. Foram desenhadas por duas irmãs, ambas artistas e gravadoras da Casa da Moeda". (Disponível aqui.)

Não se trata de demonizar o dinheiro, que, como ferramenta para o benefício das pessoas, deve ser preservado e não desperdiçado. Mas a mensagem que emana dessa iniciativa, aplaudida por representantes das três chamadas religiões monoteístas (embora apenas o catolicismo fale em nome do cristianismo), é escandalosa: seria como dizer que o que une as crenças em um único Deus é o dinheiro, com tudo o que ele representa. Enquanto me pergunto por que tal operação midiática e, se quiserem, política não foi impedida, devo contestar veementemente a ideia, sugerida a mim por um antigo sábio, de que o único deus que não conhece ateus é o dinheiro.

A razão é simples, mas difícil de assimilar: a fé, ou neste caso, as fés, são o ponto central da gratuidade, que para os cristãos é chamada de "graça". No contexto judaico, é o dom da Torá; no contexto islâmico, é a singularidade de um Deus misericordioso. O que essa operação cultural realmente alcançaria senão justificar a lógica de mercado com respaldo religioso? O céu estrelado que uniria lugares de fé como a Praça São Pedro, a Sinagoga e a Grande Mesquita seria feito de moedas brilhantes?

Acredito que aqueles que compartilham dessa indignação com um teólogo já idoso deveriam levantar suas vozes e protestar para que a iniciativa seja retirada ou, pelo menos, repudiada, por exemplo, dentro da comunidade cristã. Ela não nos representa, assim como não pode, de forma alguma, representar a fé no Deus de Jesus Cristo, que derramou as moedas dos cambistas no Templo. Estou confiante de que a visão de gratuidade também pode ser compartilhada por representantes de outras religiões, como o judaísmo e o islamismo, e espero a mesma reação deles.

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