Sob pressão de Trump, IEA reverte posição e sugere mais investimentos em energia fóssil

Foto: Ulises Castillo | Pexels

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17 Setembro 2025

A Agência Internacional de Energia é alvo de questionamentos do governo dos EUA, que contesta a transição energética e defende mais petróleo e gás.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 17-09-2025.

A ofensiva negacionista do governo de Donald Trump nos Estados Unidos atingiu a Agência Internacional de Energia (IEA). Depois de meses de pressão da Casa Branca, que indicou a possibilidade de abandonar a entidade por conta de suas projeções sobre o pico do consumo de petróleo na próxima década, a IEA divulgou uma nova análise que tenta aplacar a ira trumpista ao sugerir a necessidade de novos investimentos em combustíveis fósseis.

Segundo o relatório, a taxa média de declínio da produção dos campos de petróleo e gás acelerou significativamente em todo o mundo, em grande parte devido à maior dependência de xisto (também conhecido por óleo e gás não convencionais) e recursos de água profundas. Para a IEA, isso significa que as empresas devem investir muito mais do que antes para manter a produção nos níveis atuais.

“Apenas uma pequena parcela do investimento upstream em petróleo e gás é usada para atender ao aumento da demanda, enquanto quase 90% do investimento anual é dedicado a compensar perdas de fornecimento em campos existentes”, observou Fatih Birol, diretor-executivo da IEA. Ele destacou que, no caso do petróleo, a ausência de investimentos upstream removeria o equivalente à produção combinada do Brasil e da Noruega a cada ano do equilíbrio do mercado global. “Isso significa que a indústria tem que correr muito mais rápido apenas para ficar parada”.

Segundo a IEA, o setor precisa investir cerca de US$ 500 bilhões por ano apenas para manter a produção atual. Com investimentos previstos para atingir US$ 570 bilhões em 2025, esse montante seria suficiente para um crescimento “modesto” da produção.

O relatório também destaca que, em média, há um atraso de quase 20 dias entre a emissão de licenças de exploração e o início do fluxo de produção adicional. “Isso inclui cinco anos em média para descobrir o campo, oito anos para avaliá-lo e aprová-lo para desenvolvimento, e seis anos para construir a infraestrutura necessária e iniciar a produção”, explicou.

A despeito dessas constatações, a IEA não faz recomendações diretas sobre como o setor poderia abordar o problema. Por um lado, o relatório reforça que, pela perspectiva da limitação do aquecimento global em 1,5oC neste século, como definido pelo Acordo de Paris, o mundo não pode mais explorar nenhum poço novo de petróleo. Por outro, pela perspectiva do setor de óleo e gás, ele mantém em aberto as possíveis ações e deixa subentendida a necessidade de mais investimentos na exploração petrolífera.

Como observou o Financial Times, mesmo sem contundência, o novo relatório deve animar executivos do Big Oil – como a presidente da Petrobras, Magda Chambriard – que defendem mais investimentos na exploração e produção de combustíveis fósseis.

AFP, Reuters e Wall Street Journal deram mais informações sobre a análise da IEA.

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