29 Agosto 2025
No feriado de 7 de setembro, mesmo dia em que Silas Malafaia convocou manifestações em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) não terá programação em sua sede no Rio de Janeiro, no bairro da Penha, na Zona Norte, segundo a agenda oficial. O líder evangélico convocou apoiadores para um ato em defesa de Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo, às 15h.
A reportagem é de Rafael Custódio, publicada por Agência Pública, 28-07-2025.
O hiato no calendário da pentecostal também ocorre em uma semana decisiva para o cenário político brasileiro: Jair Bolsonaro e outros réus serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, que resultou nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. O julgamento acontece nos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, em Brasília, pela 1ª Turma do STF.
Procurada pela Agência Pública, a ADVEC não se manifestou até a publicação desta entrelinha.
Em 20 de agosto, o líder religioso foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), a mando do ministro Alexandre de Moraes, no pacote de investigações sobre a trama golpista que envolve o ex-presidente Bolsonaro.
Na ocasião, o pastor foi interceptado pelos agentes da PF, enquanto desembarcava no aeroporto do Galeão, no Rio, após uma viagem à Lisboa, em Portugal. Malafaia teve o celular e o passaporte apreendidos, além de ser impedido de estabelecer contato com outros investigados na trama golpista. Moraes também vetou o diálogo com Jair e Eduardo Bolsonaro, mesmo que seja por intermédio de outras pessoas.
Segundo o portal Uol, em sua primeira pregação após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, o pastor disse não temer a prisão e comparou o ministro Alexandre de Moraes à Gestapo, a polícia política da Alemanha Nazista.
Malafaia e Bolsonaro: uma relação estratégica
A relação entre Malafaia e Jair Bolsonaro é estratégica, marcada por apoio mútuo e também rupturas. Desde as eleições de 2018, o líder da Assembléia de Deus se tornou o intermediador entre os fiéis evangélicos e a agenda bolsonarista, e usa o seu poder religioso para atrair e manter apoiadores do ex-presidente.
Os desgastes entre os dois aliados começaram a aparecer, quando o pastor criticou a participação de Jair Bolsonaro nas eleições municipais de 2024. O religioso classificou o ex-presidente como “omisso” e “covarde”, ao não demonstrar apoio claro ao então candidato Ricardo Nunes (MDB), mas flertar com a candidatura de Pablo Marçal (PRTB).
No entanto, o pastor nunca deixou de demonstrar apoio político a Bolsonaro. Em entrevista ao portal Metrópoles, Malafaia classificou a possibilidade de condenação como “covardia”. “Não vai dar para Alexandre de Moraes calar a direita”, disse o líder religioso sobre a medida que proibiu o ex-presidente de utilizar as redes sociais.
Leia mais
- PF indicia Jair e Eduardo Bolsonaro; Silas Malafaia é alvo de busca e apreensão
- Jair Bolsonaro: prisão domiciliar é decretada pelo STF por “flagrante desrespeito”
- Ato pró-anistia mobiliza multidão e mostra que bolsonarismo não está derrotado, dizem analistas
- E agora? PGR pede condenação de Bolsonaro e 7 réus do “núcleo central” da trama golpista
- Democracia brasileira sofreu sucessivos golpes sob Bolsonaro. Entrevista com Eugênio Bucci
- Ato em São Paulo revela virada estética, afetiva e política do bolsonarismo pós-8 de janeiro. Artigo de Isabela Kalil e Álex Kalil
- Denúncia prova que 8 de janeiro era parte de plano golpista de Bolsonaro. Entrevista com Rafael Borges
- Em país marcado por golpes, decisão do STF de tornar Bolsonaro réu é histórica, avaliam juristas
- Bolsonaro em Copacabana: anatomia de um (semi)fracasso. Artigo de Mayra Goulart
- 'Apocalipse nos Trópicos' acerta ao se aproximar de Silas Malafaia. Artigo de Inácio Araujo
- Malafaia consulta “datacéu” para falar de voto evangélico
- Silas Malafaia sobre esquerda: “Não tem moleza, é pau, é ideológico”
- Silas Malafaia, 1º cavaleiro do apocalipse brasileiro. Artigo de Fábio Py
- Vieira × Malafaia. Dois pastores evangélicos - duas visões diferentes
- Religiosos que apoiaram Bolsonaro em 2018 agora indicam afastamento
- “Barões evangélicos são parceiros de projeto ultraconservador de Bolsonaro”. Entrevista com o pastor e teólogo Ronilso Pacheco
- Como chegamos até aqui? A aliança de Eduardo Bolsonaro com Trump que pavimentou o tarifaço
- Eduardo Bolsonaro se reuniu com os golpistas brasileiros presos