Os aquíferos do mundo todo diminuíram “aceleradamente” nas últimas quatro décadas

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07 Fevereiro 2024

Especialistas revelaram, em pesquisa, que o nível das águas subterrâneas em 170.000 poços de monitoramento e 1.693 sistemas aquíferos em 40 países caiu pelo menos 10 centímetros por ano, enquanto 12% diminuem rapidamente em níveis superiores a meio metro no mesmo período.

A reportagem é de María Clara Olmos, publicada por Télam, 06-02-2024. A tradução é do Cepat.

As águas subterrâneas, fontes vitais para os ecossistemas e para a vida humana, tiveram uma “diminuição acelerada” de 30% nos aquíferos em diferentes regiões do mundo nas últimas quatro décadas, segundo um estudo internacional que pesquisou este recurso em 40 países, embora cientistas consultados por Télam assegurem que a Argentina, apesar das quedas relacionadas com a seca e a irrigação, não apresenta níveis “tão acentuados” como em outras regiões.

Trata-se de um estudo realizado por cientistas da Universidade da Califórnia e publicado recentemente na revista Nature sob o título “Declínio rápido das águas subterrâneas e alguns casos de recuperação de aquíferos em todo o mundo”, que registrou tendências no nível da água subterrânea em 170 mil poços de monitoramento e 1.693 poços de sistemas aquíferos em 40 países, uma das avaliações mais amplas já realizadas.

Ao comparar os dados correspondentes aos períodos de 1980 a 2000 e de 2000 a 2022, o relatório alerta que 36% dos aquíferos diminuem 0,1 metro por ano, enquanto 12% diminuem rapidamente em níveis superiores a 0,5 metro por ano.

Da mesma forma, sustenta que 30% dos aquíferos estudados apresentaram uma “diminuição acelerada” das águas subterrâneas, que é “mais do dobro da frequência que seria de se esperar”, afirmaram os pesquisadores estadunidenses, que alertaram para “a necessidade urgente de medidas mais eficazes para enfrentar o esgotamento" destas águas.

Em conversa com Télam, o pesquisador do Conicet e professor do Instituto de Geologia Costeira e do Quaternário e do Instituto de Pesquisas Marinhas e Costeiras, Sebastián Grondona, explicou que o aquífero é “como um grande reservatório de água; se você tirar mais água do que pode ser recarregada, é provável que o seu nível diminua" e que alguns dos poços que extraem água fiquem com as bombas acima do nível da água e, portanto, "já não consigam abastecer a população".

Em todo o mundo, os recursos hídricos subterrâneos são vitais para os ecossistemas e para a vida das pessoas, pois constituem a principal fonte de água para uso doméstico, agrícola e industrial.

A tendência decrescente deste recurso, no entanto, “não é universal nem inevitável”, consideram os autores do estudo.
Dos 1.693 aquíferos analisados, em 20% a diminuição do nível das águas subterrâneas desacelerou, em 16% foi revertida e em 13% os níveis das águas subterrâneas continuaram a subir.

“Embora não descreva a situação particular da nossa região, (o estudo) mostra uma bacia compartilhada entre Argentina, Paraguai e Brasil, provavelmente o Aquífero Guarani, o mais importante da região, e os dados indicam que o nível das águas subterrâneas que contém subiu no período considerado para o estudo, o que é positivo", afirmou Grondona.

“Em geral, estima-se que 50% da oferta de água do nosso país (para agricultura, indústrias e consumo) provenha de aquíferos. Existem também muitos rios, especialmente na zona da serra, cujo caudal em algumas épocas do ano depende da água subterrânea", disse o pesquisador.

Nos últimos anos, foram realizados estudos complexos de monitoramento dos níveis das águas subterrâneas em diferentes regiões da Argentina, dada “a grande preocupação” de alcançar uma gestão sustentável destes recursos hídricos, especialmente em locais que dependem fortemente destas águas para a vida socioeconômica.

Em conversa com Télam, a geóloga Adriana Cabrera, da Universidade Nacional de Río Cuarto, focou no impacto que as mudanças climáticas e particularmente a seca que o país atravessa têm nos níveis dos aquíferos.

“Essa queda de nível, de alguns centímetros para aproximadamente 2 metros, foi observada em vários locais da província de Córdoba. O mesmo aconteceu em outras partes da planície pampeana argentina e numerosos corpos de água de superfície secaram, como a Lagoa Gómez (Buenos Aires) que teve contribuição subterrânea”, explicou.

“Onde o aquífero funciona de forma natural, está comprovado que os níveis flutuam acompanhando os ritmos das chuvas e diminuem nos períodos de La Niña (secos) e aumentam nos períodos de El Niño (úmidos). Espera-se que o nível dos aquíferos se recuperará com o início do atual ciclo úmido", acrescentou.

Alertou ainda para os casos em que a diminuição se deve à exploração por atividades humanas, especialmente de irrigação, uma vez que a água utilizada para este fim “constitui 75% do total da água extraída em todo o mundo”.

Em Córdoba existem “cerca de 2.000 perfurações que irrigam as plantações, geralmente de grande envergadura, entre 100 e 300 metros de profundidade”, disse a pesquisadora.

E observou: “Nos locais onde há mais poços de irrigação, observam-se quedas no nível mais acentuadas, embora sejam situações mais locais, que estão sendo monitoradas”.

Na campanha anual de monitoramento das perfurações de irrigação, o consórcio de irrigantes da província concluiu que “a tendência é de queda nos níveis dos aquíferos da maior parte das bacias, causada pela menor recarga devido à seca dos últimos três ou quatro anos”, que, no entanto, não atingem os “níveis mais baixos detectados” em 2012.

“O nível dos aquíferos varia constantemente, pois geralmente dependem da quantidade de chuvas. Caso ocorra uma queda muito significativa no lençol freático, associada à exploração do aquífero, caso esta atividade cesse, é muito provável que ele se recupera", acrescentou Grondona.

Ser capaz de abrandar ou mesmo inverter a tendência decrescente de um aquífero e a preservação de um recurso tão fundamental depende em parte da aplicação de ferramentas como a implementação de políticas de gestão das águas subterrâneas e um maior monitoramento dos caudais para alertar para situações indesejáveis de declínios e, nestes casos, poder intervir com a utilização de águas da superfície para a preservação das águas subterrâneas, e com recargas artificiais em aquíferos afetados, concluíram os pesquisadores.

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