O preço da violência. Artigo de Michele Serra

Foto : Ali Jadallah | Anadolu Ajansi

Mais Lidos

  • Pio X e a “participação ativa”: a diferença sagrada entre celebrar e presidir. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

    “O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

    LER MAIS
  • Trump usa a agressão contra a Venezuela para ameaçar os governos das Américas que não se submetem aos EUA

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

11 Dezembro 2023

Sempre se discute sobre como a violência é injusta e imoral. Nunca o suficiente sobre como a violência é inútil, contraproducente e, em última análise, estúpida.

O comentário é do jornalista, escritor e roteirista italiano Michele Serra, publicado por La Repubblica, 08-12-2023. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Assumindo (e sendo amplamente reconhecido) que o Hamas é um movimento que professa o suprematismo religioso e a aniquilação violenta de Israel, o que nos autoriza a considerá-lo um movimento racista, prejudicial para a causa palestina, assim como um desperdiçador dos bilhões recebidos dos governos árabes, as perguntas que eu me faria, se fosse o governo israelense, seriam duas.

A primeira: é justo e legítimo, para combater o Hamas, arrasar Gaza, matar milhares de civis, destruir o precário abrigo que um povo prisioneiro e expropriado habita por obrigação, muito mais do que por escolha?

A segunda: foi levado em conta a óbvia repercussão de ódio e de vingança que essa guerra, punitiva para todos os palestinos da Faixa de Gaza e não apenas para o Hamas, irá produzir em curto, médio e longo prazo? O que vocês querem que um menino ou uma menina que sobreviveu aos bombardeios, as famílias forçadas a abandonar suas casas, perseguidas pelas bombas e pelas blitzes, pensem dos israelenses e da estrela de Davi?

Para cada líder ou militante do Hamas eliminado, pelo menos outros dois tomarão o seu lugar na Faixa de Gaza. A vocação ao martírio (àquilo que a jihad chama de martírio: morrer matando os impuros) encontrará um novo impulso. A corrente da violência acrescentará novos elos aos muitos já interligados.

Sempre se discute sobre como a violência é injusta e imoral. Nunca o suficiente sobre como a violência é inútil, contraproducente e, em última análise, estúpida.

Leia mais