Quantos mundos cruzou Bettazzi? Artigo de Tonio Dell'Olio

O bispo italiano Luigi Bettazzi, de Ivrea, Itália, é retratado durante uma coletiva de imprensa na Rádio Vaticana em 12 de novembro de 2015. (Foto: Paul Haring | Catholic News Service)

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17 Julho 2023

"Profeta da paz e da não-violência, Dom Bettazzi não é um protagonista do passado. Ele é mais um homem do futuro", escreve Tonio Dell’Olio, padre, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 16-07-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Lembro-me de acompanhá-lo à Bósnia, Kosovo, El Salvador, Guatemala, Austrália, Vietnã, país que, como fosse um voto, visitava todos os anos. Mas creio que não houve cenário de guerra que não o viu como um discreto semeador de paz, construtor da paz. Mas Bettazzi atravessou o mundo do Concílio, do diálogo, da não-violência, das questões críticas, do encontro. Profeta da paz e da não-violência, Dom Bettazzi não é um protagonista do passado. Ele é mais um homem do futuro. Ele se debruçou, antecipou, abriu rasgos sobre o futuro.

E é exatamente isso que lhe causou muitos desentendimentos e adversidades, principalmente de parte das sentinelas do passado reconfortante.

Bettazzi adorava a navegação em mar aberto, os cumes sem horizontes obrigatórios, os percursos não indicados pelos mapas geográficos. Como todos os profetas autênticos, Bettazzi foi, é, um homem livre. Ainda que repetisse que o profeta era Dom Tonino e que ele era mais o patriarca, os construtores da paz de todas as latitudes e de todos os credos, sempre o terão como ponto de referência, porque aquele homem pontualmente dava voz à alma. Não somente à sua, mas à alma do mundo cujas línguas aprendera nas sessões do Concílio. Ele é filho daquele Pentecostes. Se alguém deixasse escapar que a partir de hoje o mundo é mais pobre, responda-lhe que o futuro é mais rico. E não temos outras palavras senão os agradecimentos que são devidos ao céu e à terra.

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