“O nosso cinema é um ato político, vamos devolver a dignidade aos jovens refugiados”. Entrevista com Jean-Pierre e Luc Dardenne

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24 Novembro 2022

“Na TV, nos jornais, online, os jovens migrantes são considerados apenas como ‘menores desacompanhados’. Em nosso filme Tori e Lokita, os protagonistas, ganham vida como seres humanos únicos, diferentes do imaginário pintado pela mídia”.

“Nosso maior desejo é que no final da exibição, o público, que terá sentido uma profunda empatia por esses dois jovens exilados e sua amizade, tenha uma sensação de revolta contra a injustiça que reina em nossa sociedade”.

Com o novo filme (nos cinemas a partir de quinta-feira com Lucky Red) os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne mais uma vez colocaram o dedo na ferida do momento: “Sabemos que na Europa há muitas pessoas que, em relação a determinados eventos, sentem ódio e medo, mas também sabemos que existe quem se preocupa com o acolhimento e estamos do lado de quem tem confiança e esperança”.

A entrevista com Jean-Pierre e Luc Dardenne é editada por Fulvia Caprara, publicada por La Stampa, 22-11-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Na Itália, o tema dos desembarques e dos navios das ONGs está no centro do debate político. Que ideia vocês têm da situação?

As palavras 'carga residual' proferidas pelo seu Ministro do Interior são terríveis. O cinema, em determinados casos, pode mudar as coisas porque permite dirigir-se a um público que, sentado na sala, tem uma maior capacidade de escuta.

O que vocês pensam da posição do governo italiano?

A direita joga com os medos das pessoas, agravados pela crise energética, pelos receios desencadeados pela guerra na Ucrânia, pela preocupação de não conseguir pagar as contas no final do mês.

Cada um teme pela própria vida e num quadro como este, os discursos sobre os receios ligados com a entrada de estrangeiros em nossos países funcionam bastante. Na verdade, é um grande erro, a esperança é que as pessoas sejam muito mais abertas do que são descritas. Ao final das tantas exibições de "Tori e Lokita" encontramos pessoas dispostas a se mobilizar pelos migrantes, a oferecer moradia, empregos, enfim, existe muita solidariedade por aí. Não achamos que seja o caso de sermos muito pessimistas.

Por que decidiram contar essa história?

Fomos inspirados por uma história real e havíamos lido muitos relatos sobre a situação dos menores desacompanhados, que muitas vezes desaparecem nas organizações criminosas. Para nós ‘Tori e Lokita’ é a descrição de uma amizade que permite a quem a vive resistir a condições de vida inaceitáveis.

Uma revista francesa dedicou um número especial à solidão dos menores desacompanhados, uma solidão completamente nova porque, na história do mundo, é a primeira vez que ocorre, uma solidão que causa doenças específicas, sonolência, incapacidade de concentração, ataques de pânico.

O vosso cinema é um ato político?

O cinema, o teatro e a arte em geral podem ter um impacto na organização da vida social, tiveram-no no passado em contextos totalitários, e na época se tratava de propaganda. A Itália teve muitos exemplos nesse campo. Esperamos que, nos cinemas, os filmes consigam ir ao encontro dos espectadores e que algo possa ficar desses encontros. Talvez a revelação de fatos que não conheciam e que poderiam levar as pessoas a reagir.

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