Nicarágua: Bispos pedem ao Vaticano que “reduza ao mínimo” suas declarações sobre Ortega

Fiel nicaraguense reza na Catedral da Imaculada Conceição de Maria em Manágua (Foto: Vatican News)

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07 Outubro 2022

 

O Cardeal Brenes mantém uma relação "microscópica" com o regime de Daniel Ortega.



Segundo La Croix, "o Vaticano, que planejava enviar membros da Comissão Latino-Americana à Nicarágua, bem como seu presidente, o cardeal canadense Marc Ouellet, suspendeu este projeto".

 

"Uma palavra descuidada, uma palavra mal compreendida pode ter consequências dramáticas dentro do país", segundo fontes do Vaticano consultadas pelo jornal francês.

 

A informação é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 06-10-2022. 

 

A deriva anticatólica do governo de Daniel Ortega está aumentando, com um bispo e oito padres presos, além de ter expulsado o núncio e numerosos padres e religiosos. A última diatribe do líder sandinista contra a Igreja no final de setembro, quando a descreveu como uma "ditadura perfeita", fala da tensão que existe, com relações praticamente inexistentes, e que teria levado o Vaticano a suspender o envio de uma comissão a Manágua .


Segundo o jornal La Croix, “o Vaticano, que planejava enviar membros da Comissão Latino-Americana à Nicarágua, assim como seu presidente, o cardeal canadense Marc Ouellet, suspendeu este projeto. A humilhação de ter a entrada negada no aeroporto de Manágua não é uma opção, segundo uma avaliação cautelosa em Roma.

 

Baseando-se em fontes do Vaticano, o jornal garante que Francisco acompanha a situação "pessoalmente, muito de perto", mas prefere ficar calado. "Uma palavra descuidada, uma palavra mal interpretada pode ter consequências dramáticas dentro do país", dizem-lhe fontes do Vaticano, que também asseguram que "os bispos do país pediram a Roma que reduzisse ao mínimo as declarações públicas" por medo de que Ortega aumente a repressão.

 

De fato, a relação que o cardeal Leopoldo Brenes mantém com o regime sandinista seria “microscópica”, segundo o Vaticano. Nessa prudência está enquadrado o silêncio, tantas vezes criticado, do Papa sobre os abusos e violações dos direitos do governo sandinista contra membros da Igreja Católica, apenas levantado por Francisco no voo de volta do Cazaquistão em 15 de setembro, quando, a perguntas de jornalistas, ele destacou que "essas coisas são difíceis de entender".

 

Apenas duas semanas depois, Ortega lançou as acusações mais duras contra a Igreja, que ele também descreveu como uma "tirania perfeita".

 

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