O dano e o insulto. Homens razoáveis e instituições cegas. Artigo de Andrea Grillo

Foto: Engin_Akyurt | Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

17 Setembro 2022

 

Podemos fechar os olhos quando se trata de explorar, pagar mal, sem garantir condições de vida minimamente humanas a algumas pessoas. Depois, se essas pessoas precisam receber um tratamento médico, não lhes reconhecemos nenhum direito.

 

O comentário é do teólogo italiano Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em Roma. O artigo foi publicado em Come Se Non, 15-09-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

 

No último post, contei uma história impressionante e tocante. Porém, é preciso acrescentar à história mais um detalhe que é quase inacreditável.

 

De fato, verificou-se que o paciente tinha a carteira de saúde vencida e, além disso, não podia obter uma nova porque não tinha autorização de residência. Daí o pedido de algumas assinaturas, com as quais ele se comprometia a pagar a internação, a cirurgia e os tratamentos.

 

Diante dessa passagem, acho que é justo fazer duas considerações diferentes.

 

O problema da carteira de saúde foi levantado após se ter feito a cirurgia. Trata-se de um cenário totalmente diferente daqueles que vimos ser contados e representados tantas vezes pelos meios de comunicação: eu estabeleço do que você precisa em termos de saúde, mas só prossigo quando você mostra um título válido.

 

Esse é um cenário que felizmente evitamos. No entanto, prosseguiu-se mesmo assim, mesmo sem título, segundo o justo princípio da gratuidade do tratamento para quem quer que dele precise.

 

No entanto, isso não significa que, no plano formal, o jovem africano não tivesse direito a um benefício, e esse é o lado mais cego das nossas instituições: podemos fechar os olhos quando se trata de explorar, pagar mal, sem garantir condições de vida minimamente humanas; nos é permitido o poder de arruinar uma pessoa. Mas, depois, se essas pessoas querem ser tratadas, não lhes reconhecemos nenhum direito.

 

Talvez, em um futuro de justiça, possa acontecer que, nesses casos, o serviço nacional de saúde seja pago pelos patrões sem escrúpulos.

 

O certo é que encontramos a maior dignidade nas palavras que o rapaz africano disse com simplicidade: “Atravessei o deserto, atravessei o mar: e estou aqui”.

 

Leia mais