Como Papa Francisco está redefinido o papel da Cúria Romana

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23 Março 2022

 

O Papa Francisco está pondo fim ao antigo domínio da Cúria Romana sobre a Igreja universal?

 

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada por La Croix, 22-03-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Com a publicação de sua nova constituição apostólica, Praedicate evangelium, no sábado passado, ele redefiniu muito o alcance e o papel da burocracia central localizada no Vaticano.

O novo texto, que contém 250 artigos, entra em vigor em 5 de junho.

E alguns estão prevendo que isso acabará enfraquecendo o que tem sido, até hoje, uma administração todo-poderosa vista como desconectada do que está acontecendo no catolicismo das bases.

 

Uma mudança de cultura já em andamento

 

De fato, Francisco afirmou que a Cúria Romana não é mais apenas uma administração a serviço do papa, mas uma forma de missão a serviço dos bispos.

E ao fazê-lo, ele está dizendo que a missão daqueles que trabalham nesses escritórios do Vaticano é, antes de tudo, servir e ajudar a Igreja, e não mais exercer controle sobre ela.

A nova constituição apostólica, que tem cerca de 54 páginas e publicada apenas em italiano no momento, na verdade explicita uma mudança de cultura que já foi implementada gradualmente desde o início do pontificado de Francisco.

“Anos atrás, quando chegávamos, tínhamos a impressão de estarmos diante de inspetores”, disse um bispo francês no outono passado, quando ele e seu confrade estavam em Roma para sua visita ad limina, que ocorre a cada cinco anos.

“Agora parece que estamos sendo mais ouvidos. Nossos interlocutores nos fazem perguntas, nos escutam”, disse o bispo. “A atmosfera é totalmente diferente”.

 

Ajudando a se conectar melhor com a Igreja em todo o mundo

 

Praedicate evangelium deixa claro que um dos papéis da Cúria de Roma deve ser ajudar o Vaticano a se conectar melhor com a Igreja em todo o mundo – por exemplo, consultando conferências episcopais antes de redigir documentos importantes.

“Por ser um instrumento a serviço da comunhão, a Cúria Romana, em virtude do conhecimento que deriva do seu serviço à Igreja universal, é capaz de reunir e elaborar a riqueza das melhores iniciativas e propostas criativas de evangelização colocadas adiante pelas várias Igrejas particulares”, disse dom Marco Mellino, secretário do Conselho de Cardeais que ajudou o papa a preparar a constituição apostólica.

 

O papel do Sínodo dos Bispos

 

Durante uma coletiva de imprensa em 21 de março para revelar o novo texto, o bispo e advogado canônico italiano também confirmou algo que a maioria das mãos do Vaticano percebeu durante este pontificado de nove anos – que a Cúria Romana não é mais o único instrumento que o papa tem para liderar a Igreja universal.

De fato, desde que se tornou bispo de Roma, Francisco tem o hábito de confiar reflexões a pessoas próximas a ele ou a especialistas que não pertencem a nenhum escritório do Vaticano.

Mas o dom Mellino enfatizou que o papa agora deu um passo adiante.

“É importante enfatizar que a Cúria Romana e o Sínodo dos Bispos são instituições que o Santo Padre ordinariamente usa para exercer sua função pastoral supremas e sua missão universal no mundo”, disse ele, claramente colocando a Cúria e o Sínodo como dois órgãos iguais de governo/consulta à disposição do papa.

“Estas são as duas instituições nas quais o papa confia”, insistiu Mellino.

Há também uma terceira instituição que continuará exisitindo – o Conselho dos Cardeais. Francisco criou este órgão apenas um mês depois de se tornar papa para ajudá-lo a reformar a Cúria e ajudá-lo a governar a Igreja universal.

A próxima reunião está marcada para 25 de abril.

 

Fortalecendo o poder pessoal do papa

 

Mas, além do que Francisco chama no texto de “descentralização saudável”, o Praedicate evangelium também fortalece consideravelmente o poder pessoal do Pontífice Romano.

Vários artigos afirmam claramente que, além das nomeações, que ele faz pessoalmente, o papa é agora indispensável para tomar toda uma série de decisões.

Por exemplo, ele deve aprovar pessoalmente o estabelecimento de comissões conjuntas entre vários dicastérios e todas as “decisões e resoluções sobre questões de grande importância”.

A constituição apostólica também estabelece que “em assuntos importantes ou extraordinários, nada deve ser feito antes que o chefe de uma instituição curial o tenha comunicado ao Pontífice”.

Isso é emblemático da maneira como Francisco já trabalha – realizando amplas consultas, em todas as direções, e depois tomando a decisão final por conta própria.

“Ninguém pode dizer quando o pontificado terminará”, analisou um de seus colaboradores há algumas semanas.

“Mas uma coisa é certa: o poder pessoal do papa foi inegavelmente fortalecido”.

 

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