Economia da proximidade. Vamos ajudar as nossas regiões. Artigo de Carlo Petrini

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22 Fevereiro 2022

 

"Eis então que olho para o bônus da região do Lácio com entusiasmo. É um exemplo de como, através de uma medida econômica bem pensada, podem ser ativadas dinâmicas socioculturais virtuosas. Espero que o que foi feito sirva de incentivo para outras Regiões. A saída da emergência pode ser uma grande oportunidade para desenvolver iniciativas que apoiem quem gera economias e bem-estar para toda a comunidade e não apenas para a própria empresa. E em tudo isso as instituições devem ter um papel de protagonistas", escreve Carlo Petrini, fundador do Slow Food, ativista e gastrônomo, sociólogo e autor do livro Terrafutura (Giunti e Slow Food Editore), no qual relata suas conversas com o Papa Francisco sobre a "ecologia integral” e o destino do planeta, em artigo publicado por La Repubblica, 21-02-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Recomeço, financiamentos, Pnrr são palavras recorrentes nos noticiários há meses. Muitas vezes, no entanto, as soluções propostas parecem tamponar os problemas, em vez de dar o sinal de uma verdadeira virada. Felizmente, nem sempre é assim: a região do Lácio, por exemplo, tornou-se promotora de uma interessante iniciativa sob vários pontos de vista chamada Bônus Lazio Km 0. Trata-se de uma contribuição a fundo perdido em benefício do elo final da cadeia de abastecimento agroalimentar: a distribuição em todas as suas acepções (dos serviços de restaurantes à venda no atacado); tentando desencadear uma conexão virtuosa com o início da mesma, ou seja, a produção.

O objetivo é favorecer a compra e consumo de produtos típicos locais, elevando-os de bens de primeira necessidade voltados à satisfação de uma necessidade fisiológica (alimentar-se) a locais de biodiversidade e tradições das comunidades, bem como promotores da economia local.

É a partir das várias regiões e de suas peculiaridades que deveríamos recomeçar para um futuro que traga consigo um mínimo de perspectiva. Enquanto o risco é que, ao sair da situação de pandemia, e da crise socioeconômica que é sua consequência direta, assistamos impotentes a uma deterioração da economia de proximidade; substituída pela implacável expansão das vendas online. Eu me pergunto por que as associações dos comerciais não denunciam o que está acontecendo.

Por que não reivindicam os benefícios fiscais garantidos aos gigantes digitais, em virtude de suas sedes deslocalizadas onde for mais conveniente do ponto de vista fiscal. Estamos na presença de operações de greenwashing nunca antes vistas. Da multinacional que pratica uma sustentabilidade de fachada àquela que se maquia de socialmente responsável, tornando-se paladina do direito ao trabalho.

São formas de apropriação de valores que desde sempre foram emblema da economia local, mas que, devido ao galope da globalização, foram silenciados durante muitos anos por serem considerados supérfluos. Então, por que ficamos calados diante dessa situação dramática - nós mesmos nos prejudicando - e não iniciamos um processo inverso e virtuoso que coloque novamente no centro as localidades e as comunidades?

Cidades e vilarejos estão se empobrecendo seriamente, e em alguns aspectos de forma irreversível, das atividades comerciais de vizinhança, que sempre foram uma característica distintiva da península italiana, e também apreciadas pelos turistas que procuram experiências autênticas ligadas à italianidade. Após os períodos mais sombrios da pandemia, muitas portas de restaurantes, bares e lojas nunca mais se abriram. E muitos pequenos produtores de qualidade, que são a espinha dorsal da economia local, se viram em dificuldades.

Em ambos os casos, a crise se assenta em lógicas de mercado e de distribuição perversas, que só olham para o lucro – que sim é necessário – mas que esquecem que o alimento, grande patrimônio do país reconhecido internacionalmente, é também beleza, prazer e conhecimento. São características inerentes aos produtos de qualidade ligados ao âmbito local, mas que são exaltadas pela feliz combinação com os operadores de serviços de restaurantes, que os transformam e depois os contam com paixão aos seus comensais.

Se queremos construir um futuro diferente, mais próspero, inclusivo e que promova e tutela do patrimônio agroalimentar, temos de mudar a nossa perspectiva; e o setor agroalimentar - também pelo seu peso em termos monetários - parece-me um bom ponto de partida. Eis então que olho para o bônus da região do Lácio com entusiasmo. É um exemplo de como, através de uma medida econômica bem pensada, podem ser ativadas dinâmicas socioculturais virtuosas. Espero que o que foi feito sirva de incentivo para outras Regiões. A saída da emergência pode ser uma grande oportunidade para desenvolver iniciativas que apoiem quem gera economias e bem-estar para toda a comunidade e não apenas para a própria empresa. E em tudo isso as instituições devem ter um papel de protagonistas.

 

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