Fotógrafo resgata costumes, tradições e rituais do povo Paíter Suruí

Foto de Ubiratan Surui, parte da exposição Lu do Norte: Foto em Pauta na Estrada, 2020 | Divulgação/Revista Zum

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24 Mai 2021

 

A revista ZUM, do Instituto Moreira Salles, lançada na quinta-feira, 20, traz ensaio do fotógrafo Ubiratan Suruí, do povo Paíter Suruí, mostrando o estrago que missionários estrangeiros, brancos, evangélicos, produziram na religiosidade e cultura desse povo.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

A pajelança, contou Ubiratan à repórter Letícia Mori, da BBC News, foi especialmente afetada por esse processo. O último pajé é, agora, ex-pajé que, depois de se tornar evangélico, começou a se sentir mal em realizar os ritos tradicionais. A religião dos não-indígenas “demonizou nossos pajés, que faziam o contato com os espíritos”, lamentou o fotógrafo.

Na realidade, o evangelismo alterou profundamente costumes, tradições e rituais sagrados das comunidades Suruí. “Não se pode mais beber a nossa chicha, que é uma bebida fermentada (feita de milho e considerada sagrada). Se vocês beber, está pecando”. Usar menos roupa na aldeia é visto como pecado. “Na aldeia a gente corre atrás do necessário para sobreviver. Os Paíter não se preocupavam com dinheiro, com coisas materiais”, o que mudou com a religião.

Quando Ubiratan nasceu, no início dos anos 90, os Paíter Suruí já tinham contato com não-indígenas desde 1969. Diferenças de ontem em comparação à situação atual Ubiratan tomou conhecimento por meio do avô que, antes de morrer, contou como eram os costumes e o modo de vida antes da chegada do branco.

“Desde o contato com os brancos, os missionários evangélicos vieram e converteram grande parte do nosso povo. A partir daí, a igreja nunca mais saiu da Terra Indígena Sete de Setembro (reserva de 248 mil hectares em Cacoal, no Estado de Rondônia), passando a dominar nossa cultura, nossas crenças e até a maneira como entendemos o destino de nossas almas após a morte”, relatou.

Quando adolescente, Ubiratan também frequentava a igreja evangélica, mas hoje ele acredita no Deus do seu povo, Palob, “o nosso pai”, definiu. “Os pastores acabam influenciando, falando que é o mesmo Deus. Muitas pessoas acreditam e pode até ter alguma semelhança, mas (os preceitos evangélicos) são muito diferentes”, afirmou.

Depois de concluir a faculdade, Ubiratan descobriu que a fotografia pode ser um instrumento para defender o seu povo de invasores “e proteger nossa cultura de ser massacrada ou esquecida”, como consta no texto que escreveu para acompanhar o ensaio publicado pela ZUM. Ele está formando um acervo para que os Suruí mais novos possam ter uma memória do passado e conhecer pessoas importantes das aldeias.

Ele é o primeiro fotógrafo profissional do povo indígena e organizou registros colhidos nas 27 aldeias Paíter Suruí em Rondônia e no Mato Grosso.

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