Onze arcebispos e 60 bispos assinaram os compromissos anglicanos contra o racismo ambiental

Foto: Ehimetalor Akhere Unuabona/Unsplash

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25 Junho 2020

As vidas negras estão em maior risco pelo colapso ambiental, diz uma declaração da Rede Ambiental da Comunhão Anglicana (ACEN, em inglês).

A reportagem é de Tim Wyatt, publicada por Church Times, 23-06-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O arcebispo de Canterbury e 13 outros bispos da Igreja da Inglaterra estão na lista dos 11 arcebispos anglicanos e 60 bispos de todo o mundo que assinaram a declaração. No marco da última sexta-feira, 19-06, conhecida como Juneteenth nos Estados Unidos, pelo aniversário do fim oficial da escravidão no país, assinada em 1865.

“Predominantemente vidas negras estão sendo impactadas pelas secas, inundações, tempestades e aumento do nível do mar”, atestam os signatários.

“A demora global em responder à injustiça climática dá a impressão que #VidasNegrasNãoImportam. Sem uma ação urgente, vidas negras continuaram sendo as mais impactadas, sendo desalojadas de suas terras e se tornando em refugiados climáticos”.

Os bispos signatários da Inglaterra são de Salisbury, Oxford, Truro, Dover, Dunwich, Woolwich, Sherborne, Loughborough, Kingston, Reading, e Ramsbury; e o arcebispo emérito de Canterbury Lord Williams, e David Atkinson.

Os atuais primazes da América Central, Canadá, Estados Unidos, África austral, México e Aotearoa Nova Zelândia e Polinésia estão entre os arcebispos signatários.

“Nós estamos em um kairós – para lutar contra a injustiça ambiental, nós precisamos lutar também contra a injustiça racial”, afirma a carta. “Nas palavras do arcebispo Desmond Tutu: ‘Se você é neutro em tempos de injustiça, você escolhe o lado do opressor”.

Comunidades indígenas e negras ao redor do mundo sofreram com o colonialismo e continuam sofrendo a injustiça que violentamente os retiram de suas terras ancestrais, assim como o aumento do nível do mar e as secas causadas pela mudança climática, aponta a ACEN.

Mesmo em nações mais ricas, elas sofrem o peso do “racismo ambiental”, porque o lixo tóxico industrial é frequentemente despejado em suas comunidades, destruindo o ecossistema local.

Para mostrar verdadeiramente que #VidasNegrasImportam, o mundo deve agir pela justiça climática, conclui a declaração.

O ACEN faz uma série de promessas, entre elas reconhecer e desafiar o privilégio dos brancos e o legado colonial na Comunhão, desafiando as narrativas teológicas que perpetuam o racismo e “agindo em solidariedade com as populações vulneráveis que experimentam a eco-injustiça” por meio de advocacy, protestos não-violentos e boicotes.

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