Distanciamento social exige mais espaço para pedestres nas cidades

Movimento nas ruas de Barcelona. | Foto: Ajuntament Barcelona/Fotos Públicas

Mais Lidos

  • Entrevista com a inteligência artificial Claude, a IA atacada por Trump

    LER MAIS
  • “A discussão sobre soberania digital e dependência tecnológica não pode ser separada da dimensão socioambiental”, adverte professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

    Expansão de data centers no Brasil: “Quem recebe os benefícios da infraestrutura digital e quem suporta seus custos ambientais e territoriais?” Entrevista especial com Hamilton Gomes de Santana Neto

    LER MAIS
  • O jornalista Gareth Gore detalhou os escândalos do Opus Dei ao Papa: "Deve ser considerada uma seita abusiva"

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

25 Junho 2020

"A reabertura de comércios e serviços fez aumentar o fluxo de pessoas em ruas e avenidas. Com o tamanho das calçadas hoje disponíveis, fica impossível evitar proximidade e esbarrões. Gestores devem implementar intervenções nos viários dos grandes centros", escreve Wagner de Alcântara Aragão, jornalista e professor e editor da Rede Macuco, em artigo publicado por Brasil Debate, 24-06-2020.

Eis o artigo.

Manter distância de pelo menos um metro e meio das outras pessoas está entre as recomendações básicas de prevenção contra o contágio do novo coronavírus. No entanto, para que possamos respeitar essa orientação quando estivermos andando pelas cidades – ainda mais agora, quando (precipitadamente) comércio e serviços voltam a funcionar nos centros urbanos – não basta consciência. Falta espaço.

Os gestores de mobilidade urbana precisam providenciar para ontem ampliações das áreas para a circulação de pedestres. Se antes a reivindicação por calçadas mais largas era justificada como medida de segurança viária e estímulo a deslocamentos mais sustentáveis, em tempos de pandemia se torna indispensável ação de saúde pública.

As faixas de estacionamento em ruas e avenidas devem ser desobstruídas, liberadas para que funcionem como alargamento dos passeios. Outras vias necessitarão de ter o tráfego de veículos bloqueado, ou drasticamente restringido, para que se tornem calçadões que viabilizem o respeito ao distanciamento social prudente. Fica impossível evitar proximidade e arriscados esbarrões físicos com as dimensões hoje reservadas a pedestres, nas vias públicas.

O culto automóvel é uma praga da sociedade capitalista, consumista, de modo que toda iniciativa que signifique restrição a seu uso sofre resistência feroz. A mobilidade urbana é de competência dos administradores municipais, e em ano de eleição para Prefeituras e Câmara de Vereadores, esses agentes políticos querem fugir de tudo que represente certo desgaste. Mas, os que realmente estiverem imbuídos da defesa dos interesses coletivos, não devem se abster de enfrentar visões míopes.

Afinal, como dito, diminuir o espaço para carros para que se amplie a área de circulação das pessoas é emergência fitossanitária. As autoridades em saúde, as lideranças que atuam na defesa dessa área são muito bem-vindas na união em prol dessa causa.

Exemplos pelo mundo há. Na China, na Europa, a retomada gradual das atividades veio acompanhada de intervenções simples nos sistemas viários urbanos. A ampliação de ciclovias e ciclofaixas e, principalmente, de áreas exclusivas para pedestres foi verificada em grandes centros urbanos, antes da flexibilização da quarentena.

Precisamos cobrar isso em nossas cidades. Vamos começar?

 

Leia mais