Vaticano proíbe as missas com fiéis durante Semana Santa nos países afetados pela pandemia

Missa sendo transmitida na Basílica São José, em Edmonton, Canadá. Foto: Arquidiocese de Edmonton

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Março 2020

“Nesse momento de prova devemos tratar de deter o contágio sem deter a nossa oração, pelo contrário, multiplicando-a”. O arcebispo Arthur Roche, secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, explica o novo decreto para as Celebrações da Páscoa em tempos de Pandemia, publicado por este Dicastério.

A entrevista é publicada por Vatican News, 25-03-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis a entrevista.

O documento oferece indicações para a celebração do Tríduo Pascal uma semana depois da difusão, no site do Dicastério, de um texto inicial. Quais são as razões dessa atualização?

É evidente para todos que vivemos em tempos de emergência, com situações que mudam rapidamente. As crises dessa magnitude às vezes requerem novos desenvolvimentos e atualizações. O primeiro texto data de vários dias atrás. As atualizações, inclusive as significativas, tornaram-se indispensáveis e, sobretudo, consideramos os episcopados dos países mais afetados pela pandemia. Tratamos de considerar as observações que nos chegaram.

Em primeiro lugar, a data da Páscoa não foi adiada, como alguns imaginaram, dada a situação dos países afetados pela Covid-19. Por quê?

A data da Páscoa não pode ser adiada. Será celebrada depois da preparação desse tempo especial de Quaresma, tão marcado pela dor, medo e incerteza. Há algumas semanas recebemos as cinzas em nossas frontes, que nos recordou que somos pó e em pó nos converteremos. Porém somos pó amado por Deus, redimido por Deus. Jesus sofreu na cruz, porém superou a morte e cremos na ressurreição dos corpos, na vida eterna. A Páscoa é a festa dessa vitória sobre a morte. Nos países afetados pela doença, onde existem restrições estabelecidas pelas autoridades civis para evitar as reuniões e movimentos massivos de pessoas, os bispos e padres celebrarão os ritos da Semana Santa sem o povo e em um lugar adequado, evitando a concelebração e omitindo o abraço da paz.

Impacta essa Páscoa celebrada sem a presença dos fiéis, sem o povo de Deus...

É muito dolorido. No entanto, estamos vendo nessa época de isolamento como se multiplicou a criatividade dos padres, que encontram maneiras de estar próximo do povo com todos os meios disponíveis hoje em dia. Muita gente acompanha a missa do Santo Padre diariamente desde a capela Santa Marta, e seguem outras celebrações através das redes sociais. Muitos fiéis rezam o rosário conectando-se através da rádio, da televisão ou da web. Vivemos um momento excepcional. Não esqueçamos que Jesus fala da oração pessoal convidando-nos a rezá-la em nossas casas. Sabemos que por sua natureza a fé cristã é relação e comunidade: a oração comum e a participação comum na mesa eucarística é fundamental. Porém, nesse momento de prova, devemos tratar de deter o contágio, sem deter nossa oração, pelo contrário, multiplicando-a. É importante que os fiéis sejam advertidos do momento em que começam as celebrações, para que possam se unir à oração em seus lares e segui-las ao vivo, participando desta maneira.

Leia mais