Amazonas. Conflito em Coari resulta na morte de três indígenas do povo Miranha

Indígenas protestam contra o genocídio sofrido pelos povos indígenas durante ATL 2018. Crédito: Mobilização Nacional Indígena (MNI)

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15 Janeiro 2020

Na aldeia vivem não indígenas que há algum tempo entram em conflito com os indígenas. Denúncias foram levadas à Funai.

A reportagem é de J. Rosha, publicada por CIMI, 09-01-2020.

Três indígenas do povo Miranha, da Terra Indígena Cajuhiri Atravessado, município de Coari (AM), na região do Médio Solimões, localizado a 363 quilômetros de Manaus, foram mortos no início desta semana. De acordo com o comando da Polícia Militar, Joab Marins da Cruz foi assassinado em sua casa, na aldeia Cajuhiri Atravessado, durante a noite de segunda-feira (6). Marcos Marins da Cruz e Francisco Martins da Cruz foram mortos por volta das seis horas de terça-feira (7), após localização e perseguição aos autores dos disparos contra Joab.

De acordo com o comandante da PM de Coari, tenente-coronel Pedro Moreira, o professor Joab Marins da Cruz foi morto depois de uma desavença com outros moradores da localidade. O irmão dele teria roubado uma espingarda de outro morador.

Presidente da ACIC afirma que conflitos com não indígenas vinham sendo alertados à Funai, mas providências não foram tomadas.

Na noite de terça, um grupo ligado ao proprietário da arma se dirigiu à casa de Joab para tentar recuperar a espingarda. Os integrantes do grupo relataram à PM que Joab tentou atirar neles. Eles revidaram e acabaram alvejando o professor, que ainda foi levado para o hospital da sede do município de Coari, mas não resistiu indo a óbito pouco tempo depois.

“Os parentes do Joab prometeram vingar a morte. O pai dele e um sobrinho saíram em perseguição em um bote onde também estavam a esposa e dois filhos”, relata o tenente-coronel Pedro Moreira. “Por volta das seis horas, se encontraram. Depois de travar luta corporal, o pai e um irmão de Joab foram golpeados com remo, caíram na água e morreram”, acrescenta.

Conflito com não indígenas

O presidente da Associação de Comunidades Indígenas de Coari (ACIC), Francisco Alves da Silva, disse que o conflito entre os moradores da aldeia Cajuiri Atravessado acontece há muito tempo. Segundo ele, na aldeia vivem indígenas e não indígenas. Joab e seus familiares teriam sido mortos por não indígenas que teriam desavença com os familiares das vítimas por causa da extração de castanha na localidade.

Francisco Alves disse ainda que familiares dos indígenas mortos já tinham registrado ocorrência na delegacia de Coari e na Fundação Nacional do Índio (Funai), alertando que uma tragédia poderia acontecer. Nenhuma providência teria sido tomada.

O presidente da ACIC diz, ainda, que podem acontecer outros conflitos de gravidade semelhante. Essa opinião é compartilhada pelo comandante da PM. “Se eles ficarem todos no mesmo local vai haver mais mortes”, prevê o tenente-coronel Pedro Moreira.

O comandante da PM informou que um dos autores das mortes foi preso e apresentado na delegacia de polícia na noite de terça.

 

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