Um em cada cinco trabalhadores brasileiros já sofre com a síndrome de Burnout

Um em cada cinco trabalhadores brasileiros já sofre com a síndrome de Burnout. Crédito: Unsplash

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Dezembro 2019

Faz um tempo que a palavra 'burnout' começou a circular – a condição, que envolve sintomas de depressão, ansiedade e estresse relacionados diretamente com o trabalho, foi neste ano classificada pela OMS como síndrome. Agora, uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP estimou pela primeira vez quantas pessoas são afetadas no Brasil. E não é pouca gente: 20 milhões. Ou um em cada cinco trabalhadores. Quando se leva em consideração apenas algum dos sinais – mas não o conjunto que indica a 'queima total' –, tem-se que quase metade da força de trabalho do país já foi afetada.

A informação é publicada por Outra Saúde, 17-12-2019.

A pesquisa foi feita com base em entrevistas com mais de seis mil pessoas entre 21 e 65 anos, de diferentes cidades e classes sociais. Quem mais sofre são as pessoas com menos de 30 anos, que têm menos recursos protetivos – como uma posição boa na empresa para dizer mais 'nãos' – e são menos propensos a encarar recomendações que fazem parte do tratamento, como largar o smartphone. Entre homens e mulheres, elas são as mais prejudicadas, o que certamente tem a ver com a jornada adicional de trabalho doméstico. Também conta o fato de elas ocuparem menos cargos de poder, o que gera uma sobrecarga por frustração, segundo a reportagem da Época.

Ao longo do texto, especialistas e trabalhadores comuns relacionam a alta prevalência à piora da rotina profissional nos últimos anos. Por exemplo, mesmo que alguém trabalhe oficialmente 40 horas por semana, essa contagem não capta as mensagens de whatsapp enviadas de noite e nos fins de semana. "Todos estão dependentes e escravizados por aplicativos", diz Rosylane Rocha, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Tem ainda os sistemas de metas para vários níveis de funcionários. E, evidentemente, a taxa de desemprego galopante.

A reportagem traz exemplos, como a de uma historiadora que aos 26 anos acumulava dois empregos, entrou no mestrado e, depois de dificuldades de concentração, prostração e crises de pânico, foi obrigada pelo psiquiatra a se afastar de tudo por 50 dias. Em outro caso, um engenheiro na casa dos 30 anos começou a sentir os sintomas, ignorou por algum tempo mas, eventualmente, procurou ajuda e "concordou em rever prioridades". O pesquisador Jeffrey Pfeffer, autor do livro Dying for a paycheck (Morrendo por um salário), escreveu que "em locais de trabalho tóxico, as pessoas devem fazer o mesmo que fariam se estivessem em um lugar cheio de fumaça ou pegando fogo: sair. Não há outra alternativa razoável, pois as consequências para a saúde são mortais".

Por aqui, sentimos falta de uma abordagem sobre como fica a situação de quem não tem a opção de tirar férias nem licença, nesse cenário de informalidade em alta e CLT se desmoronando.

 

Leia mais