Cardeal diz que repensar a sexualidade humana é tarefa importante para a Igreja

Foto: Vatican News

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23 Outubro 2019

Um importante cardeal americano disse que é “importante” e “incumbente” que a Igreja repense a sexualidade humana em um processo de diálogo.

O comentário é de Robert Shine, editor do New Ways Ministry, publicado por News Way Ministry, 21-10-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Joseph Tobin, cardeal-arcebispo de Newark, em Nova Jersey, EUA, fez este comentário durante um evento promovido pela revista America intitulado “Pope Francis and the Future of the American Church” (O Papa Francisco e o futuro da Igreja americana). O evento foi um diálogo entre o cardeal e o editor-geral da revista, o Pe. Matt Malone, que se perguntou sobre o comentário “Quem sou eu para julgar?”, proferido por Francisco. Tobin deu uma longa resposta, tocando na questão do acompanhamento papal e da necessidade de uma reflexão moral engajada nas realidades vividas pelas pessoas, voltando à pergunta com o seguinte:

“Repensar o mistério da sexualidade humana é importante, é incumbente. Não vai ser feito em um final de semana. Mas acho que precisamos poder formular perguntas uns aos outros enquanto avançamos. E ouvir”.

Essa declaração de Tobin vem na sequência de outros comentários feitos por ele em maio deste ano, quando disse que linguagem empregada no magistério católico sobre a sexualidade (intrinsecamente desordenada) é “muito infeliz”, momento em que também manifestou a esperança de que os termos empregados fossem “menos doloridos” no futuro.

O cardeal tem um histórico positivo em se tratando de temas LGBTQs. No ano passado, Tobin afirmou que a demissão de funcionários católicos LGBTQs era uma “questão muito difícil”. Em 2017, recebeu um grupo de peregrinos LGBTs na catedral de Newark. A certa altura, um participante falou que “parecia uma milagre” algo desse tipo ter acontecido. Mais tarde, Tobin explicou a sua decisão de acolhimento do grupo dizendo que as pessoas LGBTs estavam confiadas ao seu trabalho pastoral como qualquer outra pessoa. Ele endossou o livro do padre jesuíta James Martin, intitulado Building a Bridge (Construindo uma ponte, em tradução livre), falando que era “bravo, profético e inspirador”.

Tobin une-se a um número crescente de bispos e fiéis que vêm propondo reformas nos ensinamentos da Igreja relativos à homossexualidade. Não se sabe, no entanto, exatamente, como estas reformas aconteceriam. Felizmente, os católicos já partilham de uma experiência humana e de uma reflexão teológica a partir à qual podem recorrer. Neste momento, porém, as lideranças eclesiásticas como o Cardeal Tobin precisam ir além de simplesmente expressar o desejo por reformas. Eles devem iniciar processos para se repensar a sexualidade humana, tão necessário na Igreja atualmente. Um ponto de partida pode ser um sínodo sobre gênero e sexualidade.

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