Na crise, aplicativos como Uber e iFood viram maior ‘empregador’ do País

Foto: Unsplash

Mais Lidos

  • Trump transformou a Venezuela em um protetorado de fato, e a comunidade internacional prefere ignorar a situação

    LER MAIS
  • “A recomendação principal é muito objetiva: não esperar o desastre acontecer para começar a agir”, alerta pesquisador

    Mudanças climáticas: “O dano não termina quando a água baixa ou quando a fumaça diminui”. Entrevista especial com Diego Xavier

    LER MAIS
  • “A seleção natural não premiou o mais forte, mas aquele que melhor aprendeu a cooperar”. Entrevista com Ignacio Martínez Mendizábal

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

29 Abril 2019

Após quase três décadas trabalhando como gerente de vendas de imóveis, Salomão Sousa, de 57 anos, se viu sem saída: com sua principal fonte de renda prejudicada pela recessão, as comissões, que em alguns meses passavam de R$ 80 mil, sumiram. “A crise chegou sem avisar”, diz.

Sem pensar duas vezes, ele guardou o diploma de Direito e se tornou motorista do Cabify há dois anos e meio. “Não foi planejado, mas passei a adorar o trabalho. Todos os dias, saio de casa com uma meta de corridas a cumprir. Comecei usando o carro da minha mulher e, hoje, ela também trabalha no app.”

A reportagem é de Douglas Gravas, publicada por O Estado de S. Paulo, 28-04-2019.

As plataformas de mobilidade e de entrega de produtos, como Uber, 99, Cabify e iFood, têm 5,5 milhões de profissionais cadastrados, segundo o Instituto Locomotiva. Esse total inclui profissionais autônomos e os que têm emprego fixo, mas usam apps como complemento.

Os apps permitiram que muitos afetados pela crise voltassem ao mercado, diz Carolinne Iglesias, da Cabify. “De forma geral, os motoristas são autônomos que, com o aplicativo, têm suporte e segurança.”

A relação entre motoristas e aplicativos, porém, já rendeu brigas na Justiça, tanto no Brasil quanto no exterior. Em março, a Uber teve de pagar US$ 20 milhões a motoristas que moveram uma ação contra a empresa nos Estados Unidos. Os profissionais alegavam que eram empregados da companhia e não contratados independentes.

Em agosto, uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo reconheceu o vínculo de emprego entre um motorista e a Uber, mas o mesmo tribunal já havia tomado uma decisão em sentido contrário.

A preocupação com decisões judiciais sobre vínculos trabalhistas constava até no pedido de abertura de capital enviado na semana passada pela empresa à Comissão de Títulos e Câmbios dos Estados Unidos (SEC).

Para o economista Sergio Firpo, do Insper, o trabalho com aplicativos foi potencializado pela crise e deve se consolidar como complemento de renda quando o mercado de trabalho melhorar. “Falar em precarização do trabalho pressupõe que essas pessoas teriam emprego, mas 13 milhões delas não têm.”

Delivery

Além dos aplicativos de carona, as plataformas de entrega de produtos também ganharam espaço. Uma pesquisa do Fundação Instituto de Administração (FIA) e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta que 87% dos entregadores passaram a ganhar mais após usarem plataformas como iFood, Rappi e Uber Eats.

No fim do ano passado, Siomara Rodrigues, de 37 anos, trocou o emprego em um escritório pelas entregas de moto. “Tirei a habilitação e fui para as ruas. Hoje, ganho o dobro do que recebia no outro trabalho.”

Marcos Carvalho, da Associação Brasileira de Online to Offline diz que os aplicativos acompanham as transformações nas relações de trabalho. “É um processo que mira a autonomia do cliente, que escolhe entre vários serviços, e o trabalhador, que atua em diferentes plataformas.”

Leia mais