“Esqueçam o que escrevi”: juristas apontam paradoxos de ministro Moro

Sérgio Moro | Foto: Agência Brasil

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

20 Fevereiro 2019

Ao contrário do que juiz Moro afirmou quando disse que Caixa 2 era mais grave que corrupção, ministro Moro é muito mais contemporizador.

A reportagem é de Brenno Tardelli, publicada por CartaCapital, 19-02-2019.

Ao comentar o pacote de leis anticrimes que foi assinado hoje por seu presidente Jair Bolsonaro, o ministro da justiça Sergio Moro concedeu entrevista coletiva sobre o projeto e teve de se justificar sobre a negociação que tornou a parte do projeto a discussão do caixa dois. Foi quando o ministro ex-juiz da Lava Jato afirmou: “Houve uma reclamação por parte de alguns agentes políticos de que o caixa 2 é um crime grave, mas não tem a mesma gravidade que corrupção, que crime organizado e crimes violentos”. 

A declaração do Moro ministro é o oposto do que o Moro juiz afirmara. Nos EUA, em 2017, durante palestra para brasileiros na Universidade de Harvard, o ex-juiz foi muito mais duro e chegou a afirmar que o caixa dois era uma prática inclusive mais grave do que a corrupção.

Eram outros tempos, o ministro estava no auge de sua incessante caça ao ex-presidente Lula, que à época enfrentava a acusação do Triplex no Guarujá. Vale lembrar que caixa dois é o uso e movimentação de dinheiro fora da contabilidade oficial, enquanto a corrupção é a cobrança por um agente público para praticar determinado ato de ofício.

Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito”, afirmou Sergio Moro.

À CartaCapital, juristas comentaram as declarações do hoje ministro da justiça. O Professor de Direito Constitucional na PUC-SP e colunista no site Pedro Estevam Serrano afirmou que, de fato, o caixa dois é menos grave do que a corrupção. “O que estranha é que a opinião parece do ministro mudar de acordo com quem está envolvido”, apontou.

Já o criminalista Aury Lopes Jr, professor de Direito Processual Penal da PUC-RS, perguntado sobre a mudança de posicionamento do ministro, afirmou que o contraste é fruto da transição de juiz para ministro.

Juízes não devem corresponder as expectativas políticas geradas e nem sociais, pois sua função é inclusive ser contramajoritário. Mas um ministro de Estado não, ele é um agente político e, como tal, deve ter uma postura política, afirmou Aury.

O criminalista apontou do quanto o político Moro tem se deslocado do juiz Moro e lembrou a famosa frase da um ex-presidente sociólogo – “o interessante é ver o quanto o atual Ministro Moro precisa se descolar do fantasma do Juiz Moro. Não tardará em dizer: esqueçam o que eu escrevi, falei, julguei…”, completou.

Leia mais