2º Domingo do Tempo Comum – Ano C – O sinal de Jesus através dos gestos de quem serve

As Bodas de Caná. 1562-63. Por Paolo Veronese (Foto: Wikipédia)

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Por: MpvM | 15 Janeiro 2025

"A liturgia deste dia é um convite para que todos possamos pensar de que forma o nosso caminho de serviço tem possibilitado que Jesus realize entre nós os seus sinais. Nossa sociedade, nossos dias, são, com frequência, aparentes festas, com aparentes alegrias, mas onde falta o essencial. Jesus nos oferece o que é importante: a proximidade, o amor, o respeito, a misericórdia, a compaixão... mas tudo isso apenas se torna real com o nosso auxílio, no nosso caminho de serviço. Qual é o caminho de serviço que temos trilhado?"

A reflexão é de Mariana Aparecida Venâncio. Ela possui graduação em Teologia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora - ES/JF (2016), especialização em sagrada escritura pelo Centro Universitário Claretiano (2018), mestrado em Letras (literatura Brasileira) pelo CES/JF. Atualmente é doutoranda em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e doutoranda em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). É assessora da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e professora na graduação em Teologia da Faculdade Palotina de Santa Maria (RS) (FAPAS), lecionando as disciplinas de História de Israel e as da Literatura do Antigo Testamento. Tem experiência nos seguintes campos de pesquisa: Bíblia como Literatura e Animação Bíblica da Pastoral. (Esta reflexão foi originalmente publicada em 18.01.2019)

Referências bíblicas

1ª Leitura: Is 62,1-5
Salmo: Sl 95(96),1-2a.2b-3.7-8a.9-10a.c
2ª Leitura: 1Cor 12,4-11
Evangelho: Jo 2,1-11

Cantai ao Senhor Deus um canto novo, manifestai os seus prodígios entre os povos! (Sl 95)

Eis a reflexão.

O Evangelho (Jo 2,1-11) apresenta a conhecida narrativa do casamento em Caná da Galileia. É importante lembrar que a metáfora do casamento, na Bíblia, é utilizada desde os profetas para falar da Aliança entre Deus e seu povo. Esta já é uma primeira pista que nos indica o conteúdo desse trecho do Evangelho de João. A cena retratada é marcada pela falta. João narra um casamento no qual a noiva não aparece, falta o vinho e são seis as talhas. Mas há uma personagem importante: a mãe de Jesus. Ela não é nomeada por seu nome Maria, mas caracterizada pela sua relação com Jesus, ela é sua mãe. No Evangelho de João, a mãe de Jesus, Maria, é a figura do antigo Israel (a antiga aliança), que crê que Jesus é o Messias esperado, caminha com ele, e será depois introduzida na comunidade da Nova Aliança.

A mãe de Jesus aparece em Jo 2, e depois só em Jo 19, aos pés da cruz, quando será recebida pela nova comunidade. Sua fala é emblemática: “Eles não têm mais vinho” (Jo 2,3). Repare que ela não diz nós, mas eles. Ora, o vinho que faltava à Antiga Aliança é dado por Jesus, é o próprio Jesus. A Maria nada falta, porque ela está com Jesus, mas à antiga aliança, que precisa ser restaurada, falta algo.

Jesus pede que os serventes encham as talhas de água. Eles o fazem, retiram e a levam ao mestre-sala. Quando ele experimenta, elogia o vinho. Atenção ao que nos diz o Evangelho: “O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água” (Jo 2,9). Os que servem retiram a água e entregam o vinho, ou seja: o sinal de Jesus se realiza no caminho que é feito por aquele que serve. No Evangelho de João, estes dois temas são importantes: aliança e serviço. A aliança entre Deus e seu povo será restaurada de uma vez por todas em Jesus, mas os sinais dessa restauração se realizam é no caminho do serviço.

O mestre-sala manda chamar o dono da festa, o noivo, que podemos identificar como o próprio Deus. Ele o felicita por ter guardado o vinho bom até aquele momento. Isso me faz lembrar o prólogo joanino. Juan Mateos e Juan Barreto, comentando o Evangelho de João, destacam que logos não precisa ser só compreendido como a palavra ou o verbo de Deus que se faz carne, mas também como o projeto de Deus que se realiza. Assim, Jesus é o projeto de revelação do Pai, que em determinado momento realiza-se em plenitude.

A compreensão do Evangelho orienta nossa leitura dos demais textos nesta liturgia. A primeira leitura (Is 62,1-5), retirada do terceiro Isaías – a escola profética do retorno do exílio na Babilônia – guarda o tema da aliança e manifesta o desejo e o esforço do profeta por ver restauradas a justiça e a salvação em Jerusalém. É importante observar que o profeta coloca-se à disposição em um caminho de serviço em favor de sua nação em reconstrução.

O salmo 95 conclama toda a assembleia a cantar ao Senhor e manifestar os seus prodígios, que a cada dia tornam-se numerosos.

A segunda leitura, retirada da carta aos Coríntios (1Cor 12,4-11), é o ensinamento dado por Paulo de que vários são os dons recebidos de Deus, mas de que todos eles devem ser colocados a serviço do bem comum, a serviço de todos.

A liturgia deste dia é um convite para que todos possamos pensar de que forma o nosso caminho de serviço tem possibilitado que Jesus realize entre nós os seus sinais. Nossa sociedade, nossos dias, são, com frequência, aparentes festas, com aparentes alegrias, mas onde falta o essencial. Jesus nos oferece o que é importante: a proximidade, o amor, o respeito, a misericórdia, a compaixão... mas tudo isso apenas se torna real com o nosso auxílio, no nosso caminho de serviço.

Qual é o caminho de serviço que temos trilhado?

 

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