Vaticano organiza cúpula entre as grandes companhias petrolíferas com o papa para falar sobre energias renováveis

Foto: Acieg

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04 Junho 2018

Certamente, não se falará do petróleo em excesso no mercado, nem do redespertar dos preços do barril de petróleo. O encontro – o primeiro desse tipo no Vaticano – entre o papa e os maiores petroleiros estadunidenses tem como objetivo refletir juntos sobre o futuro do planeta Terra. O impacto climático, o papel das energias renováveis, os riscos ligados às mudanças no ecossistema, se a rota das explorações naturais não for revertida. O cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Integral, organizou o encontro com diversos empresários na semana que vem.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada em Il Messaggero, 01-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há exatamente um ano, o presidente Donald Trump anunciava a sua intenção de tirar os Estados Unidos do acordo sobre o clima de Paris, uma decisão que foi fortemente criticada pelo Papa Francisco, autor da primeira encíclica verde, a Laudato si’.

O magistério referente ao ambiente representa um ponto de virada para a Igreja, que pressiona pelo abandono dos combustíveis fósseis para abraçar um mundo totalmente renovável, respeitoso dos equilíbrios da natureza e portador de maior equidade. A lista dos líderes das grandes companhias petrolíferas foi publicada por um site estadunidense, Axios.com, e confirmada pelo Vaticano.

Participarão do debate Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior empresa de investimentos do mundo com sede em Nova York e com um patrimônio de mais de 6 bilhões de dólares, dos quais um terço se encontram na Europa, praticamente o maior fundo de investimento do mundo; Bob Dudley, CEO da British Petroleum, a companhia que quase entrou em colapso depois do incidente de 2010 da Deepwater Horizon e após a queda dos preços do petróleo.

Outro convidado para a mesa de debates é o Lorde John Browne, ex-CEO da BP e agora presidente executivo da L1 Energy, uma empresa de investimentos que fez investimentos nas fontes energéticas renováveis.

Por fim, Ernest Moniz, secretário de Energia estadunidense no governo Obama, e também Eldar Saetre, CEO da Equinor, empresa petrolífera que tem o governo norueguês como maior acionista. No entanto, a lista de convidados pode ser ampliada até lá, incluindo também a ExxonMobil.

O Papa Francisco, na Laudato si’, escreveu que é preciso promover com urgência políticas capazes de limitar a emissão de dióxido de carbono e de outros gases altamente poluentes, e desenvolver fontes de energia renovável.

Em outra passagem da encíclica, afirma-se: “Sabemos que a tecnologia baseada nos combustíveis fósseis – altamente poluentes, sobretudo o carvão, mas também o petróleo e, em menor medida, o gás – deve ser, progressivamente e sem demora, substituída”.

“Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos. (...) A exposição aos poluentes atmosféricos produz uma vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres, e provocam milhões de mortes prematuras.”

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