Novas palavras para explicar o poder da ressurreição

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02 Novembro 2017

A Diocese de Pinerolo tem o seu novo bispo. Derio Olivero, 56 anos, foi empossado em 18 de outubro, uma semana após a ordenação recebida em Fossano, onde há vários anos era vigário geral.

A entrevista é de Alberto Corsani, publicada por Riforma, 01-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Marcamos um encontro alguns dias mais tarde, para conversar com ele, professor de teologia pastoral e autor de várias publicações, sobre quais seriam as dificuldades das Igrejas (todas) ao interpelar a sociedade e cultura atuais.

Eis a entrevista.

Nos impressos das duas cerimônias (ordenação e posse), o senhor mandou reproduzir duas frases de Dietrich Bonhoeffer: por quê?

A Igreja Católica teve uma grande história, de 1500 ao Concílio Vaticano II, que se baseava em uma forte instituição, em uma sã doutrina e uma moralidade rígida, mas o mundo mudou e hoje a doutrina per si só tornou-se muda, vazia, abstrata: precisamos de existência que fale, o testemunho fala mais do que a doutrina. A reflexão é fundamental, mas, enquanto a teologia progrediu, a doutrina católica permaneceu muito "catequística" e, portanto, formal e abstrata. Precisamos sair desse formal e abstrato, e um caminho é o do testemunho, do qual é exemplo o Papa Francisco. Isso não significa negar a doutrina, mas estancar na doutrina e na lei moral significa dividir os seres entre os que estão dentro e os que estão fora, e hoje não é o momento de dividir. Uma das questões mais sérias é redescobrir o valor antropológico da fé: não temos mais palavras para dizer qual poder vital tem o Cristianismo, quais palavras concretas tem em relação à vida. Para expressar o significado antropológico da fé não basta dizer, como uma fórmula, Jesus te salvou, Jesus ressuscitou; é preciso saber explicar o poder da ressurreição.

Porque o mundo ao qual as Igrejas se dirigem é tão indiferente?

O filósofo Charles Taylor [Uma era secular. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2010] descreve o homem que no passado era "poroso" e hoje está "blindado", dotado de um escudo que lhe impede qualquer saída de si e abertura ao transcendente; para ele existe apenas o humano, que pode ser medido, pesado e visto; não existe nada mais. Nesse contexto, continuar a falar de Deus como estamos acostumados é o mesmo que falar fórmulas mágicas. Então, como conseguir chegar mais perto? O outro aspecto que deve ser considerado é que não há mais desejo: estamos repletos de necessidades, mas desprovidos de desejos - como afirma o psicanalista Massimo Recalcati, na esteira de Lacan -: desejar é esperar por algo que nunca terás (ou nunca totalmente); concebemo-nos hoje como um poço sem fundo para ser preenchido, isso é a necessidade, mas o homem é abertura a algo maior do que si a ser perseguido e que talvez jamais seja alcançado plenamente, uma tensão .....

A tradução e o estudo da Bíblia aproximam os cristãos das diferentes denominações; mais difícil parece o diálogo sobre a visão da antropologia e da natureza: ainda é assim?

Certamente existe um maior pessimismo antropológico no campo protestante e certo otimismo no lado católico, e essa distinção fundamenta-se na estrutura de cada uma das duas famílias confessionais. Porém poderia haver uma maior proximidade raciocinando sobre a importância da categoria da história: a história não é um acidente do ser, mas é o evento do ser. Ao descrever o ser humano na sua história, justamente ali devemos compreender o que é o humano em sua fenomenologia, e isso poderia nos unir, independentemente das diferentes impostações estruturais.

De fato, Deus escolheu um povo para situar na história a sua relação com a humanidade ...

Claro, e o fato que depois um homem, Jesus Cristo, represente o universal trazendo consigo a divindade do Pai, é uma boa maneira de dizer que em cada evento histórico acontece a verdade: o evento histórico não é um detalhe e a verdade de cada um de nós não é um conceito abstrato, acontece na realidade histórica. Também a Igreja não deve ser lida apenas como instituição social, mas como uma instituição que tem como função manter viva a abertura do humano. O homem não vive somente de pão, como explica o Evangelho; mas ao contrário nós, católicos, por muitas razões temos dificuldade em sermos os pioneiros da abertura do humano, envolvidos demais pela organização e pela catequética, e nem sempre conseguimos ser pacientes cultores da abertura que existe em cada homem, para que o desejo de infinito não nos abandone. Dever-se-ia também redescobrir o sentido do rito, hoje em crise: porque hoje importa aquilo que é útil e quantificável, eficiente. No rito não se faz nada e esse é o seu valor, é o momento em que você não faz nada e você não aprende nada; você apenas fica, gratuitamente, e pode estar criando um espaço para a presença de Deus. Caso contrário Deus torna-se uma ideia.

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