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Como religiosos se diferenciam dos políticos em relação a refugiados nos EUA

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09 Setembro 2016

William Stocks, um membro branco, nascido no Alabama, de inclinação republicana, da Igreja Batista Johnson Ferry, chegou ao minúsculo apartamento de uma família de refugiados sírios em uma noite de quarta-feira, após o trabalho. Stocks estava vestindo uma camisa de golfe de listras verdes e exibia um sorriso gentil, pronto para dar outra aula improvisada de inglês básico.

A reportagem é de Richard Fausset e Alan Blinder, publicada por New York Times e reproduzida por Portal Uol, 08-09-2016.

Stocks, 23 anos, se mudou recentemente do Alabama para a Geórgia, Estados onde os governadores são, como ele, batistas do Sul. Eles também estão entre os mais de 30 governadores republicanos que resistiram publicamente ao plano do governo federal de reassentar refugiados da Síria devastada pela guerra, temendo que os refugiados possam trazer terrorismo aos seus Estados.

Mas para Stocks, essas questões pertencem ao reino da política e ele não veio naquela noite por razões políticas. Em vez disso, ele disse, ele veio como um seguidor de Cristo. "Meu trabalho é servir essas pessoas", ele disse, "porque precisam ser servidas".

Entretanto, política e religião sempre apresentaram um potencial de conflito nas questões em torno do reassentamento de refugiados sírios nos Estados Unidos.

Em um momento em que políticos conservadores, muitos com laços com grupos religiosos cristãos, buscam agressivamente manter os refugiados sírios fora de seus Estados, são pessoas conservadoras religiosas que, em muitos casos, estão servindo como o sistema de apoio indispensável aos refugiados.

Aqui em Marietta, a aula de inglês teve início à mesa de cozinha doada a Anwar e Daleen, dois dos 10 mil refugiados sírios que chegaram aos Estados Unidos no ano passado, apenas para se depararem com uma realidade política tão confusa quanto qualquer nova língua.

Anwar e Daleen são muçulmanos sírios que fugiram dos bombardeios à sua cidade natal, Tafas, em novembro de 2012. Eles primeiro fugiram para a Jordânia e, posteriormente, para este refúgio suburbano, onde foram reassentados em maio em um apartamento com seus dois filhos; um terceiro nasceu em agosto. Aqui, a milhares de quilômetros da guerra civil, eles ainda temem represálias contra seus familiares na Síria a ponto de não quererem ser identificados por seus nomes completos.

Falando por meio de um intérprete, Anwar, 33 anos, e Daleen, 27, disseram estar cientes de que políticos americanos são contrários à chegada de sírios aqui. Eles mencionaram Donald Trump, o candidato presidencial republicano, que propôs uma proibição temporária da entrada de todos os muçulmanos nos Estados Unidos, uma posição que de lá para cá ele já mudou várias vezes.

Mas eles disseram que só sabem das questões políticas pela televisão. Seus contatos mais próximos com americanos têm sido principalmente com membros da igreja Johnson Ferry, como Stocks. Foram os membros da igreja, a maioria republicanos, que mobiliaram o minúsculo apartamento da família e lhes mostraram como se virarem nas cavernosas mercearias americanas.

Eles também conduziram Anwar pelo sistema de atendimento de saúde, enquanto ele se prepara para uma cirurgia no coração.

Quanto aos políticos, ele disse não ter medo: "Temo apenas a Deus".

A chegada nos Estados Unidos do refugiado sírio número 10.000 no mês passado preencheu a meta para o ano fiscal de 2016, anunciada pelo presidente Barack Obama em setembro do ano passado. Apesar de representarem apenas uma fração minúscula dos milhões que fugiram da Síria, a preocupação entre muitos eleitores conservadores de que os refugiados possam incubar terrorismo doméstico permanece potente.

O governador do Alabama, Robert Bentley, e o governador do Texas, Gregg Abbott, estão processando separadamente o governo Obama por sua política de refugiados, mas esses esforços ainda não ganharam força nos tribunais federais.

O pastor Franklin Graham, filho do pastor Billy Graham, disse concordar com a ideia de Trump de proibir a imigração de muçulmanos. Em uma entrevista na semana passada, Franklin Graham disse continuar preocupado com falhas no processo de triagem dos refugiados. Ele argumentou que os Estados Unidos deveriam se empenhar em esforços de ajuda mais próximos do Oriente Médio para ajudar a resolver a crise humanitária.

A posição dele diverge de alguns cristãos influentes, incluindo os líderes da Convenção Batista do Sul. Em junho, a convenção aprovou uma resolução para "encorajar as igrejas batistas do Sul e suas famílias a acolherem e adotarem os refugiados em suas igrejas e lares, como meio de demonstrar às nações que nosso Deus anseia por toda tribo, língua e nação ser acolhida em seu trono".

Russell Moore, o presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa do grupo, disse que há "uma clara distinção nesta questão entre a igreja e o restante da sociedade americana".

Os políticos, mesmo aqueles que mantêm laços estreitos com conservadores religiosos, costumam ser apenas políticos, ele disse.

Representantes de organizações não governamentais que reassentam refugiados disseram que os membros da Igreja Mórmon têm sido particularmente de ajuda no reassentamento dos refugiados sírios em Estados do Oeste, como Utah, Texas e Arizona. Historicamente, os mórmons tendem a preferir os republicanos, mas algumas pesquisas recentes mostraram Hillary Clinton, a candidata presidencial democrata, empatada com Trump no altamente mórmon Utah, um Estado no qual os democratas não vencem desde 1964.

A posição de Trump em relação aos muçulmanos pode ser um fator. Em dezembro, logo depois de Trump ter anunciado sua ideia de proibição da entrada de muçulmanos no país, a igreja mórmon emitiu uma declaração reafirmando seu compromisso com a liberdade religiosa. Na segunda-feira, a igreja, em resposta ao que chamou de "crise global dos refugiados", doou US$ 2 milhões a dois grupos que ajudam a reassentar refugiados: a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos e o Comitê Internacional de Resgate.

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  • Os refugiados e a Igreja pós-ideológica de Francisco. Artigo de Massimo Faggioli

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