Ataque de Gilmar à Ficha Limpa convém a Temer, que está inelegível

Foto: Lula Marques/ Fotos Públicas

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Agosto 2016

O ataque de Gilmar Mendes à Lei da Ficha Limpa vem em momento muito oportuno para o grupo que incentiva a candidatura de Michel Temer (PMDB) em 2018, caso seu governo tenha sucesso o bastante para tentar uma reeleição.

A reportagem é publicada por Jornal GGN, 18-08-2016.

Disse Gilmar, após decisão do Supremo Tribunal Federal muito criticada por praticamente anistiar 80% dos políticos enquadrados como ficha-suja, que a Lei, de tal mal feita, parece ter sido redigida por "bêbados". A OAB, uma de suas patrocinadores, disse que isso não coisa para sair da boca de um ministro do Supremo.

A Corte decidiu, na semana passada, que um prefeito só pode se tornar inelegível graças à Lei da Ficha Limpa se a Câmara Municipal referendar decisão do Tribunal de Contas do Estado favoráveis à rejeição das contas do governo. Como a Câmara não é obrigada nem tem prazo para analisar tais contas, basta engavetar o parecer negativo do TCE para que o político fique a salvo. Ou desengavetar se quiserem usar para atingir politicamente algum mandatário.

O caso de Temer é um pouco diferente. O interino foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo por ter doado cerca de R$ 16 mil acima do que poderia na eleição de 2014, para dois candidatos do PMDB.

A defesa de Temer alega que a decisão do TRE-SP não foi feita em colegiado, como manda a Lei da Ficha Limpa, mas o Tribunal já enviou para a Justiça Eleitoral a mensagem de que Temer está inelegível pelos próximos oito anos.

Aliados do peemedebista reagiram com desdenho à decisão do TRE: disseram que, se necessário for, a lei será alterado para que Temer seja candidato em 2018 - se assim quiser.

A crítica de Gilmar vem justamente esboçar o quadro de necessidade de se aprimorar a Lei. Quem sabe de maneira que a maioria dos chamados "ficha-suja" seja anistiada, caso as mudanças derrubem o que está em vigor e passem a valer para depois de 2018.

Cabe ressaltar que Gilmar presidente o Tribunal Superior Eleitoral, e caberá à Corte decidir se a eventual candidatura de Temer pode ou não receber aval da Justiça Eleitoral. É nisso que apostam os advogados do interino hoje.