Dom Odilo vai respeitar o resultado da eleição para a reitoria da PUC?

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Cesar Sanson | 14 Junho 2016

Na última sexta-feira (10), professores, alunos e funcionários da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) concluíram a votação para escolher o próximo reitor. A apuração foi finalizada hoje (13) e a vitoriosa nas urnas foi a doutora Maria Amalia Pie Abib Andery, do departamento de Psicologia da instituição.

Vencedora absoluta na soma, ela também foi a mais votada entre alunos e professores isoladamente. Apenas no grupo dos funcionários foi que ficou atrás do segundo colocado, o professor de Teologia da PUC, padre Antônio Manzatto.

A reportagem é de Luiz de Queiroz e publicada por GGN, 13-06-2016.

Na próxima quarta-feira (15), o Conselho Universitário vai se reunir para ratificar o resultado da consulta e encaminhar a lista tríplice para o cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo Metropolitano de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP. Pelo estatuto da Universidade, a palavra final é dele. Ele tem a liberdade para ignorar a vontade da maioria e escolher qualquer um dos candidatos para ocupar a reitoria.

Historicamente, os cardeais da PUC sempre selecionam o mais votado para o cargo. Dom Odilo, no entanto, já foi a exceção no passado recente. Em 2012, depois que a comunidade acadêmica elegeu o professor de Direito Penal, Dirceu de Mello, o cardeal ignorou o pleito e nomeou a terceira colocada, a professora de Letras, Anna Cintra, para o cargo.

A decisão foi recebida com insatisfação por alunos e professores, que organizaram uma greve e chegaram a barrar o acesso da professora ao prédio da reitoria. A isso, se seguiu uma briga judicial. Em primeira instância, o mandato de Anna Cintra foi suspenso. Mas alguns dias depois ela foi reconduzida ao cargo por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Sua gestão, no entanto, continuou a ser questionada. E ainda é extremamente criticada. Funcionários da PUC relataram ao GGN que os atos convocados pela reitoria tendem a ser esvaziados de participação.

Dessa vez, no entanto, eles esperam que o cardeal tenha aprendido a lição e que a decisão da maioria seja respeitada. Não apenas por um desenvolvimento de sua consciência democrática, mas principalmente porque qualquer escolha que ele faça será submetida ao Vaticano. E o papa Francisco tem posicionamento muito diferente do seu antecessor.

Consulta antecipada

Também causa surpresa em todos que participaram do processo a antecipação da consulta. Tradicionalmente, os votos são coletados de agosto a setembro. Muito se especula sobre os motivos de Dom Odilo para adiantar a votação.

Alguns acreditam que ele vai se aposentar da presidência da Fundação São Paulo, mantenedora da PUC, e quis tomar uma última decisão executiva antes de entregar o cargo. Talvez com a intenção de corrigir os erros do passado. A aposta de muitos é que o arcebispo - que disputou o papado com Jorge Mario Bergoglio - pode estar de viagem marcada para assumir um cargo no Vaticano.

Gestão Maria Amalia

Da última vez, o Conselho Universitário encaminhou a lista tríplice em agosto e dom Odilo só tomou uma decisão em novembro. Agora, espera-se que o processo seja mais rápido.

Caso ele confirme a nomeação de Maria Amalia, ela promete fazer uma gestão progressista, com foco na inclusão e desenvolvimento dos bolsistas do Prouni e da Fundação São Paulo.

Durante os debates, Maria Amalia Pie Abib Andery, chegou a ser chamada pelos alunos de “golpista”, por ter aceitado fazer parte do gabinete de Anna Cintra como pró-reitora de Pós-Graduação. No entanto, ela foi a única candidata das quatro chapas a se posicionar ativamente contra o governo provisório do presidente interino Michel Temer.

Além de assinar o manifesto de intelectuais contra o golpe, ela marcou posição durante o debate, dizendo que “golpistas são os deputados que derrubaram a presidente democraticamente eleita”.

Seu trabalho na Pós-Graduação também é bastante reconhecido.