Líderes cristãos estão pessimistas sobre o acordo de paz entre governo e rebeldes das FARC

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04 Março 2016

Líderes cristãos continuam sendo ameaçados, deslocados à força e sujeitos à extorsão por grupos guerrilheiros apesar das negociações de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), diz um relatório recém-divulgado.

A reportagem é de Rose Gamble, The Tablet, 02-03-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O texto, produzido pela organização pró-direitos humanos Christian Solidarity WorldwideCSW, compõe-se de depoimento dados por líderes católicos das cinco regiões onde há uma forte presença de grupos armados no país.

Espera-se que as negociações de paz entre o governo colombiano e o principal grupo de rebeldes oposicionistas, as FARC-EP, ponham um fim a um conflito que já dura cinco décadas e que tem visto atrocidades sendo cometidas por ambos os lados, com 220 mil vidas perdidas.

Líderes cristãos, alguns dos quais foram deslocados à força, disseram que restrições severas à liberdade religiosa ou de crença impostas por grupos guerrilheiros de esquerda, incluindo as FARC-EP e o Exército de Libertação Nacional, continuam em vigor e que esperam ver uma pequena melhora na situação em que se encontram, independentemente se o acordo de paz for ou não assinado.

Grupos criminosos intensamente envolvidos com o tráfico de drogas, tais como o Urabeños, também continuam a ameaçar líderes religiosos que se recusam a cooperar. Uma série de líderes eclesiásticos relataram ter recebido ameaças de guerrilhas e grupos paramilitares.

Jovens, incluindo cristãos, continuam sendo forçados a entrar em grupos armados ilegais ou no serviço militar, mesmo quando declaram objeção de consciência com base em sua crença, diz o relatório. Cristãos convertidos que tentam sair de grupos armados ilegais são forçados a se esconder ou acabam mortos.

Mervyn Thomas, chefe-executivo do Christian Solidarity Worldwide, falou: “Embora a nossa organização dê as boas-vindas aos passos dados pelo governo colombiano e pelas FARC-EP em direção a um acordo de paz, que deverá ser assinado no fim deste mês, permanecemos, contudo, profundamente preocupados com a situação nas bases em várias partes do país.

Estas regiões são chefiadas por grupos armados violentos e ilegais. Todos eles vêm restringindo a liberdade religiosa e ativamente almejando os nossos líderes eclesiásticos. Convidamos o governo colombiano a dar passos urgentes no sentido de proteger os civis e respeitar o Estado de direito em áreas do país onde as FARC-EP tem, até o momento, mantido uma forte presença.

Convidamos também a comunidade internacional a apoiá-los nestes esforços. Para isso, o governo colombiano deve tomar medidas duras na abordagem contra práticas corruptas e o conluio com grupos armados ilegais junto a autoridades regionais e locais”.

Espera-se que o governo e as FARC-EP assinem um histórico acordo de paz em 23 de março. Ao visitar Havana em setembro passado, o Papa Francisco fez um apelo especial pela paz na Colômbia, e o presidente Juan Manuel Santos e o líder das FARC-EP, Rodrigo Londono, anunciaram que assinariam um acordo definitivo dentro de seis meses.

“Que o sangue derramado por milhares de pessoas inocentes durante longas décadas de conflito armado (…) sustentem todos os esforços que estão sendo feitos, incluindo aqueles sobre esta bela ilha, para conseguir a reconciliação definitiva”, disse o papa no final da missa na Praça da Revolução em Havana.

“Assim, pode a longa noite de dor e violência, com o apoio de todos os colombianos, tornar-se um dia sem ocaso de concórdia e a justiça, fraternidade e amor (…) de modo que possa haver uma paz duradoura”.