Igreja Anglicana exclui possibilidade de bispas mulheres

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22 Novembro 2012

Surpresa na Igreja da Inglaterra. Depois de 12 anos de procedimentos, de votações intermináveis, de discussões ferozes, o Sínodo rejeitou nessa terça-feira, 20 de novembro, a possibilidade de nomear bispas mulheres. A decisão provocou uma grande surpresa e consternação entre os próprios anglicanos. Após o resultado, obtido com apenas seis votos de diferença, grupos de mulheres desoladas e com lágrimas nos olhos se consolavam no anfiteatro da Church House, em Londres, onde se realizou a votação.

A reportagem é de Eric Albert, publicada no jornal Le Monde, 22-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A decisão final surpreendeu, porque a grande maioria da Igreja da Inglaterra é favorável a essa medida. Votaram a favor quase três quartos dos membros do Sínodo. Mas as regras muito democráticas dessa Igreja exigiam uma maioria de dois terços em três Câmaras: a dos bispos, a do clero e a dos leigos. As duas primeiras se pronunciaram amplamente a favor da medida. Mas a terceira não, em que foram contados 132 votos a favor e 74 contra. Uma mudança de seis votos ou uma abstenção de nove contrários teria permitido que a medida fosse aprovada.

"Estou decepcionado", admitia logo após a votação Rowan Williams, arcebispo de Canterbury, chefe da Igreja, que tenta há uma década encontrar um compromisso entre os dois lados. "É uma decisão que será difícil que o restante da sociedade compreenda. É uma péssima notícia para a Igreja da Inglaterra", acrescentou Stephen Cottrell, bispo de Chelmsford.

A rejeição é ainda mais surpreendente porque as mulheres podem se tornar sacerdotisas desde 1992. À época, a decisão havia provocado fortes tensões, e muitos anglicanos haviam realizado a secessão, unindo-se à Igreja Católica. Hoje, as mulheres representam quase metade das novas ordenações. Permitir que elas se tornassem bispas parecia lógico. Parecia até inevitável, dado que 42 das 44 dioceses haviam votado a favor da medida.

Quase a metade das "províncias" anglicanas do mundo (a Igreja da Inglaterra representa apenas duas) já aceitam o princípio das bispos mulheres. Por uma coincidência de calendário, a África do Sul escolheu no dia 20 de novembro a sua primeira bispa mulher, que assumiu na Suazilândia. "Talvez seja a hora de que a Inglaterra tenha aulas com a mama África", dizia um membro do Sínodo, antes do resultado da votação.

Quem se opôs a essa mudança, por razões teológicas diversas, foram duas correntes: os anglocatólicos, ou seja, o ramo tradicionalista, e os evangélicos anglicanos. Mas o resto da Inglaterra há muito tempo não tenta mais convencê-los. O objetivo das discussões é apenas o de encontrar para eles um espaço à parte, respeitando as suas crenças.

Por exemplo, foi introduzida uma disposição que prevê que uma bispa mulher possa delegar os seus poderes a um homem nas paróquias tradicionalistas. Intermináveis debates nasceram a propósito dos detalhes concretos dessa disposição. Na verdade, os contrários a julgavam vaga demais e temiam se tornar anglicanos de "segunda classe".

A votação da terça-feira pôs fim a esse conflito, mas Stephen Cottrell, bispo de Chelmsford, advertiu: "A questão das bispas mulheres certamente será reproposta em alguns anos".