Religiosas: histórias chocantes de tráfico e exploração sexual entre os indígenas da Amazônia

Foto: poalac.org

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23 Abril 2018

“Combater contra o tráfico de seres humanos é um dos grandes desafios da sociedade do século XX. Este crime é, infelizmente, muito presente também na Amazônia brasileira onde o número de vítimas está aumentando constantemente". É por isso que um grupo de religiosas da rede "Um Grito pela Vida" já visitou, de 3 a 18 de abril, dois municípios da região do Rio Negro, que fazem parte da Diocese de São Gabriel da Cachoeira na Amazônia brasileira, onde a maioria da população é indígena.

A informação é publicada por Fides, 21-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Nas conclusões da visita, enviadas à Agência Fides, as irmãs religiosas ressaltam que seu trabalho foi compartilhado com as paróquias e que conseguiram visitar diversas comunidades, tanto nas cidades como nas áreas ribeirinhas. Elas também realizaram atividades de sensibilização nas escolas, com alunos e professores, e nos centros juvenis. O grupo também visitou várias instituições públicas responsáveis pela defesa dos direitos das crianças, adolescentes e jovens, embora infelizmente trabalhem separadamente para melhorar os seus direitos, sem desenvolver um trabalho comum, tornando difícil alcançar objetivos precisos.

As religiosas confirmam a presença de vários casos de tráfico, abuso e exploração sexual, muitas vezes escondidos e desconhecidos até mesmo da população local. Durante a visita surgiram histórias chocantes, especialmente nos casos em que as vítimas são meninos e meninas, que muitas vezes sofrem abuso mesmo dentro de sua própria família. "É uma realidade que não é fácil mudar", declaram à Agência Fides aquelas que participaram das atividades realizadas durante as visitas "porque ao medo de denunciar soma-se a ineficiência da polícia e da justiça, pouco preocupadas com a defesa dos inocentes". Nesse sentido, durante os encontros, vieram à tona alguns exemplos de diferentes crimes que, anos depois, continuam impunes.

É por isso que o trabalho de informação, prevenção e combate é importante, especialmente nessas realidades em que situações fora de qualquer lógica são consideradas normais como, por exemplo, o fato de uma menina de doze anos engravidar. É um trabalho necessário e mostra os desafios que a vida religiosa está assumindo, tornando-se presente nas periferias do mundo, para ser a voz daqueles que quase ninguém escuta.

A rede "Um Grito pela Vida", criada em 2007, é uma organização ligada à Conferência dos Religiosos do Brasil, que combate o tráfico e a exploração sexual de crianças e adolescentes, desenvolvendo ações de prevenção e denúncia para tentar coibir um dos grandes flagelos da sociedade atual.

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