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29 Setembro 2012

A civilização tecnocientífica "vem transformando, profunda e radicalmente, não só a ideia de Deus na cultura contemporânea como também põe em questão as condições, as possibilidades e a relevância de todo discurso teológico na sociedade em que vivemos na forma como tem se desenvolvido até o presente momento", escreve Cleusa Maria Andreatta, do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, em artigo publicado no jornal Zero Hora. 29-09-2012.

Eis o artigo.

Na próxima semana, de 2 a 5 de outubro, será realizado na Universidade Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) o 13º Simpósio Internacional IHU – Igreja, Cultura, Sociedade. A Semântica do Mistério da Igreja no Contexto das Novas Gramáticas da Civilização Tecnocientífica. O simpósio tem como pano de fundo o reconhecimento de que as transformações decorrentes da grande revolução que se processa no campo da ciência e da técnica têm um impacto tão profundo na cultura e na sociedade que caracterizam nossa época como uma civilização tecnocientífica.

Em diversas áreas de conhecimento, como também em diferentes âmbitos da organização de nossa vida em sociedade, cada vez mais se reconhece que a tecnociência vem reconfigurando as condições de possibilidade de nosso viver em sociedade de tal forma que pode ser um problema central de nosso tempo. Essa revolução profunda e silenciosa vem transformando, num nível de radicalidade até hoje aparentemente desconhecido na história, as intenções, as atitudes e os padrões de conduta que tornaram possível historicamente o surgimento da cultura humana e, portanto, das razões que asseguram a viabilidade das sociedades e do próprio predicado da socialidade.

Esse contexto sociocultural vem transformando, profunda e radicalmente, não só a ideia de Deus na cultura contemporânea como também põe em questão as condições, as possibilidades e a relevância de todo discurso teológico na sociedade em que vivemos na forma como tem se desenvolvido até o presente momento.

Essa reconfiguração dos horizontes de sentido da vida humana na contemporaneidade coloca em questão a capacidade da Igreja ser escutada e fazer-se entender na sua interlocução com a cultura contemporânea, bem como a atualidade, o significado e a pertinência dos seus discursos, linguagens, signos e símbolos teológico-religiosos diante do contexto cultural que marca a sociedade atual.

Destaca-se, nesse sentido, o desafio de analisar criticamente a semântica que ajudaria hoje a instituição eclesial a dialogar com as mulheres e os homens da sociedade contemporânea, no ambiente cultural por ela formado. Assim, o simpósio reunirá cientistas, teólogos e pesquisadores de diferentes áreas com o objetivo de debater em perspectiva transdisciplinar a semântica do Mistério da Igreja no contexto das novas gramáticas da tecnociência, desenhando possibilidades e perspectivas de interlocução com a nova cultura.