Realização de Cúpula do Carvão causa saia-justa na Polônia

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Novembro 2013

"Não consigo entender como um país que tem a maior parte de sua energia proveniente de carvão pode abrigar um evento de clima." A frase de um líder comunitário que combate a indústria do carvão na Polônia reflete o sentimento não só de uma parcela da população e de ambientalistas como de negociadores presentes à Conferência do Clima, que reúne 195 países e ocorre até o fim desta semana na capital, Varsóvia.

A reportagem é de Giovana Girardi e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 17-11-2013.

Toma corpo no país o movimento "Desenvolvimento, sim, minas de carvão, não" - uma coalizão de prefeitos, ONGs locais e internacionais, que denuncia impactos sociais e ambientais do uso do minério, pede mudanças no investimento energético do país e na legislação que permite a expropriação de qualquer terra onde se encontre depósitos de carvão.

A dependência econômica do combustível fóssil - maior contribuinte para as emissões de gases de efeito estufa do planeta - e a pouca disposição do país de permitir que a União Europeia, como grupo, assuma metas mais ousadas de cortes de emissões depois de 2020, foram algumas das críticas que mais circularam pelas corredores, salas e plenárias improvisadas no Estádio Nacional de Varsóvia, construídas com suporte financeiro da indústria do carvão.

Na semana que começa, o assunto deve ganhar uma proporção ainda maior com a realização simultânea à COP da Cúpula Mundial do Carvão, vista por muitos como uma afronta ao evento climático.

Questionado sobre isso, o presidente da conferência, Marcin Korolec, ministro polonês do Meio Ambiente, disse que este é só mais um dos "vários eventos que estão ocorrendo ao mesmo tempo" e "que é algo paralelo e não parte do quadro da COP". Disse também à imprensa que o país tem algo a mostrar ao mundo, como a redução de emissões. Os dados, porém, são contestados por ambientalistas, que dizem que a redução só aconteceu após o colapso do bloco comunista, mas não por mudanças estruturais.

Saia-justa

A secretária executiva da Convenção do Clima, Christiana Figueres, que organiza a realização da COP, ficou em uma saia-justa ao ser convidada para a cúpula. ONGs solicitaram que não fosse ao evento, pedido que ela rejeitou.

"Eu compartilho a preocupação, mas também acredito que é meu dever falar sobre isso", escreveu às ONGs.

"É precisamente por isso que eu vou falar com uma indústria que precisa mudar rapidamente e precisa escutar as razões para isso."