Medjugorje, as dúvidas do Santo Ofício: “Não há nada de sobrenatural”

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30 Junho 2015

As aparições de Medjugorje não teriam nada de sobrenatural. Proibição aos seis videntes de participarem das reuniões. Imposição aos bispos de não fazer que sejam convidados, nem de acolhê-los. São estas as orientações mais importantes que emergiram da reunião de quarta-feira passada na Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo cardeal Gerhard Ludwig Mueller, no Vaticano. Um encontro muito esperado, sobretudo após a consignação, da parta da Comissão de inquérito presidida pelo cardeal Camillo Ruini, da documentação coletada e posta à disposição do Papa.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicado pelo jornal La Repubblica, 26-06-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Um aniversário amargo (o 34°) para as aparições no santuário em Herzegovina, visitado a cada ano por milhões de peregrinos. Na reunião o lugar sagrado não foi posto em discussão, nem muito menos a relação entre os fiéis e o santuário. O caso controverso se refere quando muito às visões e o giro periodicamente realizado pelos seis videntes. Após as palavras críticas pronunciadas pelo Papa Francisco sobre a genuinidade das aparições aos 6 de junho passado no voo de retorno de Sarajevo, anteontem foi a vez da plenária do ex Santo Ofício. Diversos pontos foram tocados. 

Segundo as orientações emersas as aparições de Medjugorje não teriam nada de sobrenatural e sua mensagem seria realmente considerada como inconsistente sob o perfil teológico. Os seis videntes têm agora a proibição expressa de participar em reuniões e de divulgar mensagens que eles sustentem provir de Nossa Senhora. Além disso, os bispos são convidados a não acolhê-los para assembleias dos fiéis. 

Mas, o que realmente impressionou os membros da Congregação é um dos elementos fortes da investigação conduzida por Ruini. Ou seja, a consistente circulação de dinheiro em torno do fenômeno Medjugorje. A suspeita é que possa haver operações de lucro sobre os peregrinos que se reúnem em grande número nas reuniões dos videntes no exterior, mas também fortes interesses econômicos locais em jogo para hotel e agências de viagem. Um dado que, chegado aos ouvidos de um Pontífice que prega a sobriedade como Jorge Bergoglio, não escapou do novo curso no Vaticano.

Algumas fontes próximas a Medjugorje falam agora de “cordão sanitário erguido em torno dos videntes”, mas convidam a distinguir a sacralidade do lugar mariano das presumidas aparições. A reunião de quarta-feira passada não será, em todo caso, a última reunião dedicada ao caso. Haverá de fato mais uma, provavelmente após o verão. Depois disso chegará o pronunciamento do Papa. Mas o seu pensamento sobre o caso já é muito preciso.

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