#coerência. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: CreativeMagic | Pixabay

Mais Lidos

  • Tecnofascismo, dissenso e a gramática da dignidade. Entrevista especial com Donatella Di Cesare

    LER MAIS
  • Uma (nova) história do deus - Flávio, cristofascista ‘escolhido’ e totalmente crente. Artigo de Fábio Py

    LER MAIS
  • Interesses particulares descolados de apreciação profunda e respeitosa transformaram a cidade em um canteiro de obras que muitas vezes desconsideram o impacto ambiental e social, priorizando apenas o luxo e o lucro. História da cidade está se perdendo

    “Torres e sua natureza estão sendo assaltadas, negligenciadas e transmutadas”. Entrevista especial com Lara Lutzenberger

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

08 Dezembro 2022

É difícil, ao examinarmos o filme da nossa história pessoal, isolar um fio coerente, até porque o fato de se adequar e de mudar de ideia costuma ser muito mais vantajoso para o sucesso.

O comentário é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, em artigo publicado em Il Sole 24 Ore, 04-12-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

“Nos homens, só existe verdadeiramente uma única coerência: a de suas contradições.”

Durante sua vida, viu todos seus escritos serem rejeitados pelos editores, escritos que, postumamente, tiveram grande sucesso, até mesmo nos Estados Unidos. Estamos falando de Guido Morselli, que encerrou sua existência esquiva e reservada com o suicídio em 1973, com pouco mais de 60 anos.

Porém, seus romances são sempre emocionantes, também pela originalidade das tramas e dos temas. A frase que recortamos de um de seus ensaios é semelhante a uma flecha que atinge o alvo da consciência, fazendo-a sangrar. Sim, porque o fato de se contradizer e de contradizer é muitas vezes um exercício que alimenta os nossos pensamentos e as nossas ações.

É difícil, ao examinarmos o filme da nossa história pessoal, isolar um fio coerente, até porque o fato de se adequar e de mudar de ideia costuma ser muito mais vantajoso para o sucesso. É claro, seria preciso viver sempre como se pensa, mas muitas vezes acaba-se pensando como se viveu.

A incoerência se instala como uma lei que nos absolve do remorso por qualquer traição aos próprios valores e ideais. Se é verdade que mudar de opinião pode ser necessária quando se está em um abismo de maldade ou de irracionalidade – e esse ato se chama “conversão” – é igualmente verdade que é indigno ser um catavento que se adapta a toda brisa.

Leia mais