O Papa vai às raízes da Europa, para um forte sinal sobre os migrantes

Foto: Vatican Media

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29 Novembro 2021

 

A viagem de Francisco na quinta-feira para Chipre e Grécia. Em direção ao agora último muro da UE, ele trará de volta consigo 50 refugiados através de um corredor humanitário.

 

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Huffington Post, 28-11-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O Papa parte na quinta-feira para Chipre e Grécia. Mais tempo em Chipre do que na Grécia, na verdade. Por que tantos dias dedicados à ilha dividida ao meio com a Turquia? Como Francisco gosta de fazer, é através dos "pequenos" que quer dar uma mensagem universal.

 


Mapa com as próximas viagens do Papa Francisco em 2021 e 2022. Em verde, as viagens anunciadas pelo Papa. Em amarelo, as viagens que estão sendo planejadas. E em roxo, as viagens que o Papa disse pretender fazer em breve. Clicando nos traçados, você pode conferir a distância aproximada de Roma a cada localidade

 

A viagem, de 2 a 6 de dezembro, é uma verdadeira peregrinação às raízes da Europa, como o próprio Pontífice ressaltou na vídeo-mensagem publicada ontem. Uma viagem que indica a necessidade mais que de um recomeço, de uma verdadeira ressurreição. Segundo a mitologia da Grécia clássica, Afrodite, deusa da beleza e do amor, essencialmente deusa da vida, emergiu das espumas das águas mediterrâneas de Chipre. “A Petra tou Romiou”, uma grande rocha, marca seu lendário local de nascimento, a meio caminho entre Limassol e Pathos. Paphos (patrimônio cultural mundial da Unesco), capital de Chipre na época do Império Romano, é a cidade onde, em 47 d.C., os apóstolos Paulo (São Paulo, ele mesmo) e Barnabé, desembarcados na ilha, converteram o procônsul Sergius Paulus. Assim, Chipre foi também a primeira província do Império a ser governada por um cristão.

Em Chipre, Paulo e Barnabé (ali nascido, patrono da ilha, que mais tarde evangelizou Milão) conheceram São Lázaro (o irmão de Marta e Maria que havia sido "despertado" da morte por Jesus), que havia se mudado para Chipre, o santo mais venerado pelos cristãos cipriotas, a quem é dedicada a mais antiga basílica bizantina da ilha, agora ortodoxa, em Larnaca. São Lázaro, Lázaro de Betânia, que justamente este ano o Papa Francisco associou à memória litúrgica da irmã Marta, com a de Maria, a ser celebrada em 29 de julho, foi o primeiro bispo, e em Larnaca foi encontrado seu segundo túmulo (visto que do primeiro havia saído vivo) e seus restos já em 600 d.C.

Em suma, a história fez de Chipre um lugar de ressurreição pessoal e social, até mesmo institucional. Ponte entre a Europa e o Oriente Médio e Israel de um lado e a Ásia do outro, Chipre é marcada por contradições. Resiste o último muro da Europa, a Green Line que separa a parte turca da grega. Mas mesmo as contradições estão fadadas a ser erodidas pela história. Aquele muro nos últimos anos tornou-se extremamente “poroso” e atravessado por milhares de migrantes que do Médio Oriente anseiam por chegar à Europa, a jovem tão bela, que segundo a mitologia grega, fez o próprio Zeus se apaixonar por ela.

 

 

Chipre e Grécia significam o Mar Mediterrâneo, mare nostrum, como Francisco repetiu ontem. Um mar que muitos da África e da Ásia atravessam para nos alcançar e escapar da fome, da miséria, da ausência de futuro. E mais uma vez uma lenda (minoritária) sobre o destino de São Lázaro de Chipre nos ensina algo para a atualidade. São Lázaro de Betânia não teria morrido em Chipre, mas com suas irmãs teria partido em um navio sem remos e sem velas, desembarcando, depois de cruzar o Mediterrâneo, em Marselha, da qual teria sido o primeiro bispo, martirizado sob o imperador Nero. Um barco sem vela e sem remos, como o de muitos refugiados hoje. Cinquenta deles chegarão à Itália por um corredor humanitário organizado pelo Papa, pouco antes do próximo Natal.

 

 

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