Haiti. Muitas promessas e pouca ajuda

Foto: USAID U.S. Agency for International Development | Flickr CC

Mais Lidos

  • Apenas algumas horas após receber um doutorado honorário da UAB, essa importante voz da teoria feminista analisa as causas e possíveis soluções para a ascensão do totalitarismo

    “É essencial que a esquerda pare de julgar a classe trabalhadora que vota na direita.” Entrevista com Judith Butler

    LER MAIS
  • Conscientização individual dos efeitos das mudanças climáticas aumenta, mas enfrentamento dos eventos extremos depende de ação coletiva, diz pesquisador da Universidade de Santa Cruz (Unisc)

    Dois anos após as enchentes: planos de governo das prefeituras gaúchas não enfrentam as questões climáticas. Entrevista especial com João Pedro Schmidt

    LER MAIS
  • ‘Grande Sertão: Veredas’ e suas questões. Artigo de Faustino Teixeira

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Agosto 2021

 

“Vamos criar um amanhã melhor, reconstruir melhor o Haiti”. Já se passaram mais de onze anos desde que Bill Clinton fez essa ambiciosa promessa. Foi no dia seguinte ao catastrófico terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou mais de 230 mil pessoas repentinamente, e o ex-presidente havia sido nomeado comissário especial do ente para a reconstrução.

O comentário é de Lucia Capuzzi, publicado por Avvenire, 17-08-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Build back better" tornou-se o mantra do pós-terremoto. O organismo, administrado pela ONU, pelos principais estados doadores e pelas autoridades haitianas, arrecadou 6,4 bilhões de dólares em pouco tempo. Um valor elevado. Pelo menos em teoria. A anunciada reconstrução não ocorreu. De acordo com estimativas independentes, menos de 3% do dinheiro arrecadado foi para organizações e empresas locais. O restante, sob forma de lucrativos contratos de licitação, foi para as empresas dos países doadores. Suas escolhas de investimento parecem no mínimo bizarras.

Os Champs de Mars, que bem pouco têm em comum com os jardins parisienses de mesmo nome, no centro de Porto Príncipe foram agraciados com quiosques, bistrôs e banquinhas de souvenirs. A almejada retomada do turismo, a pedra angular do projeto de reconstrução internacional, nunca aconteceu. Os luxuosos Marriott e Best Western que surgiram novinhos em folha em Petion Ville, um bairro residencial da capital, estão bem cientes disso: o primeiro está perpetuamente vazio, o segundo fechou suas portas em 31 de outubro de 2019. Um fracasso anunciado. É difícil imaginar multidões de visitantes vagando pelas ruas de Porto Príncipe invadidas pelo lixo porque não existe um sistema nacional de coleta, escuras depois do pôr do sol devido à falta de energia e terrivelmente inseguras pela presença de centenas de gangues.

Pouco foi gasto na construção de infraestruturas básicas, para contribuir com a construção de um sistema econômico, político e social. Um projeto a ser “vendido” nas mídias e capaz de garantir o retorno imediato de imagem, alavancando-se no esquecimento global, foi preferido a um processo amplo, discreto, mas duradouro. A corrupção local fez o resto. De volta ao cone de sombra da política internacional, o Haiti teve que sofrer um novo terremoto para ser arrancado dele. Como em um flashback, a comunidade internacional - Washington primeiro - lançou-se em enfáticas promessas.

 

Mapa do Haiti (Foto: Guia Geográfico Haiti)

 

Se, mais uma vez, estas serão palavras vazias ou se o mundo finalmente se encarregará de um país que tanto contribuiu para devastar - se houver "interesse partícipe", como pediu o Papa Francisco no final do Angelus -, isso só o tempo dirá.

 

Leia mais