O Antropoceno

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29 Abril 2021

 

“O debate sobre o futuro não gira em torno do que poderíamos, mas, sim, do que é necessário fazer para enfrentar os riscos existenciais”, escreve Samuel Pérez-Attías, economista guatemalteco, em artigo publicado por El Periódico, 28-04-2021. A tradução é do Cepat.

 

Eis o artigo.

 

O século XXI evidencia as consequências de uma tendência à convergência de um sistema econômico e político global. Muitos resultados positivos consequentes incluem uma maior expectativa de vida, o aumento da renda média per capita e uma redução significativa do risco de guerras internacionais similares às ocorridas no século passado. No entanto, a ideia de um enfoque identitário ocidental de valores e um ethos homogêneo levanta algumas preocupações.

A distribuição assimétrica da renda, da riqueza e do poder também está aumentando. O neocolonialismo, a vulnerabilidade de saberes ancestrais, o desaparecimento de linguagens e de formas de aprendizagem autóctones, e o atentado a culturas indígenas, sobretudo no hemisfério Sul são a norma em muitos países. A prevalência de privilégios entre certos grupos sociais e o impedimento do Estado de direito também se manifestam. As instituições democráticas são vulneráveis com os líderes populistas assumindo o controle de nações poderosas e seus satélites.

O Fórum Econômico Mundial, 2021, identifica como desafios globais os riscos persistentes e emergentes à saúde humana, o aumento do desemprego, as brechas digitais aumentando, a desilusão dos jovens e a fragmentação geopolítica.

Pela primeira vez na história da terra, o ser humano foi capaz de modificar o ambiente geopolítico, modificar ecossistemas e deslocar processos naturais de acordo com a sua conveniência imediata. Em vez nos adaptarmos ao planeta, nós, seres humanos, estamos modificando os ecossistemas e a geologia do planeta Terra e suas formas de vida. ‘Isto é o que começa a ser chamado de era do Antropoceno’.

O Relatório sobre Desenvolvimento Humano 2020 do PNUD reconhece e chama para a necessidade de voltar a conceber e medir o que chamamos de progresso. O debate global sobre o status da humanidade coincide em que estamos em um momento sem precedentes na história, no qual a atividade humana se tornou uma força dominante que configura o planeta, evidenciando uma emergência.

A economia de mercado está erodindo frente à concentração da riqueza. Os oligopólios multinacionais globais têm poucos incentivos para regulamentar seu impacto endogenamente. A mudança climática, a crescente pegada ecológica e rápida extinção da biodiversidade e os desequilíbrios nos ecossistemas são produto de um modelo econômico insustentável.

A eutrofização de oceanos, o crescente consumo de produtos de um só uso elaborados com energias intensivas em CO2 e o aumento da capacidade de consumo de uma enorme população ainda em crescimento, geram pressões sem precedentes ao grande ecossistema global. A ampliação das desigualdades, assim como as migrações em massa e a insegurança alimentar consequentes de tudo o que foi citado colocam em risco a paz e a estabilidade global.

Diante desse cenário, o debate sobre o futuro não gira em torno do que poderíamos, mas, sim, do que é necessário fazer para enfrentar os riscos existenciais. Existe um valor intrínseco da educação para dar forma à compreensão desses desafios na nova geração de mentes jovens e das elites adultas que hoje tomam decisões de impacto coletivo.

A necessidade de nos readaptarmos a um novo ambiente global talvez seja o catalisador de formas criativas de aprendizagem, o desenho de enfoques criativos dos caminhos atuais do desenvolvimento socioeconômico e a construção de respostas coletivas e individuais a esses desafios. Isto requer uma mudança de paradigma. De nós, a espécie humana, depende essa mudança.

 

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