A pergunta que existe e a que falta

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Agosto 2020

"O texto carece de uma pergunta: por que a fé na ressurreição dos mortos é muito mais forte entre os muçulmanos do que entre os cristãos?", questiona Piero Stefani, filósofo, biblista italiano, especialista em judaísmo e em diálogo judaico-cristão, e ex-professor das universidades de Urbino e de Ferrara, em artigo publicado por La Lettura, 02-08-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Alla fine il nulla? Sulla resurrezione e la vita eterna
Gerhard Lohfink

É possível falar em breve sobre a vida após a morte? Rabelais conseguiu com duas palavras quando a definiu como o "grande talvez". Então a grande interrogação é o êxito final? Depende.

O idoso biblista jesuíta Gerhard Lohfink publicou uma obra com um título questionador, acompanhada por um subtítulo afirmativo: Alla fine il nulla? Sulla resurrezione e la vita eterna (em tradução livre, No final, o nada? Sobre a ressurreição e a vida eterna, tradução de Valentino Maraldi, Queriniana, p. 288 e 34).

A presença de um sonoro não permanece implícita. A tese de fundo está ligada a um aut aut: ou o nada ou a ressurreição e vida eterna, tertium non datur.

Na realidade, o terceiro é dado na mente de muitos. De fato, a primeira parte do livro se empenha a declarar a insuficiência de respostas antigas repropostas hoje em uma nova chave: dispersar-se na natureza, sobreviver nos descendentes, confiar na transmigração das almas. Todos paliativos não convincentes.

O nada, então? Não, porque existe a mensagem bíblica. No entanto, para a maior parte da Bíblia, ou seja, para quase todo o Antigo Testamento, não há nenhuma ressurreição: o que importa é apenas a salvação, principalmente coletiva, na vida terrena.

Israel não é o Egito, que era obcecado com a vida após a morte. A visão cristã da ressurreição dos mortos não nega o panorama judaico.

Para Lohfink, o empenho para transformar a história de acordo com a mensagem de Jesus é um depósito para entrar na vida que nunca terá fim. No entanto, o texto carece de uma pergunta: por que a fé na ressurreição dos mortos é muito mais forte entre os muçulmanos do que entre os cristãos?

Leia mais