Martini, arcebispo de Milão há 40 anos

Carlo Maria Martini. Foto: Rede Magis Jesuítas Itália

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07 Janeiro 2020

“Hoje, os três sábios do Oriente chegam a Belém. Eles chegam pela estrada da fé. Talvez, não se pode dizer que o episcopado é um sacramento da estrada? Vocês receberam esse sacramento para se encontrar na estrada de tantos homens, aos quais o Senhor os envia; para tomar junto com eles essa estrada, caminhando, como os magos, atrás da estrela”. Roma, Basílica de São Pedro. Domingo, 6 de janeiro de 1980.

A reportagem é de Lorenzo Rosoli, publicada em Avvenire, 05-01-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Que escolha feliz. Destinada a deixar uma marca profunda e fecunda no caminho da Igreja e da cidade de Milão e das terras ambrosianas. Como se viu desde o primeiro ano de episcopado. No qual se reconheceu a reverberação das palavras pronunciadas por João Paulo II naquela missa de ordenação de 40 anos atrás – na qual os principais coconsagrantes foram o arcebispo Eduardo Martínez Somalo e o auxiliar de Milão, Ferdinando Maggioni.

“O episcopado é o sacramento da estrada. É o sacramento das inúmeras estradas, que a Igreja percorre, seguindo a estrela de Belém, junto com cada homem”, disse Wojtyla, chamando os novos bispos a se tornarem “servos do dom” que é Cristo, “tesouro inesgotável” da Igreja.

O bispo é aquele que “desperta o dom nos corações, nas consciências, nas experiências difíceis da sua época, nas suas aspirações e nas suas desorientações, na sua civilização, na economia e na cultura”.

E eis que Martini faz a sua entrada em Milão – pouco mais de um mês depois, no dia 10 de fevereiro de 1980 – a partir da Basílica dos Magos, Sant’Eustorgio, como dita a tradição; depois passa na frente da prisão de San Vittore, onde as suas visitas pastorais começarão no dia 4 de novembro de 1981; por fim, percorre a pé o trecho entre o Largo Cairoli e a catedral, com o Evangelho nas mãos e não sozinho, mas dentro de um caminho de povo e de oração.

E ei-lo, no dia 1º de maio seguinte, dirigindo uma mensagem aos trabalhadores; em julho, indo ao Zâmbia para visitar as missões ambrosianas; no dia 8 de setembro, oferecendo à diocese a sua primeira carta pastoral, surpreendente desde o título, na Milão do fazer, dos negócios, das preocupações: “A dimensão contemplativa da vida”; em novembro, dando início a uma das experiências decisivas do seu episcopado, a Escola da Palavra.

Primado da Palavra, centralidade da dimensão contemplativa, estilo de escuta e diálogo fraterno, dentro e fora da Igreja, solicitude para com os problemas da cidade, as suas feridas, as suas pobrezas, compromisso contra toda violência – na Milão que, naquele 1980, chorou pelas novas vítimas do terrorismo, como o juiz Guido Galli e o jornalista Walter Tobagi. E volta à mente a mensagem que, naquele 6 de janeiro de 1980, no dia da sua ordenação, Martini enviou à Igreja ambrosiana. Mas sem esquecer as instituições e a sociedade civil. Para “expressar o desejo”, com as palavras do Salmo 122: “Peçam a paz para esta cidade: a paz para aqueles que te amam, a paz sobre os teus muros, segurança nos teus baluartes. Para os meus irmãos e os meus amigos, eu direi: ‘A paz esteja contigo!’”.

“Mas também gostaria de lembrar – acrescentou o pastor –, com as palavras do Salmo 127, que, ‘se o Senhor não constrói a casa, em vão labutam os construtores. Se o Senhor não guarda a cidade, em vão vigia o guarda.”

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