Colômbia. Comunicado da Comissão da Verdade frente à decisão de um grupo de ex-combatentes das FARCs de retomar a luta armada

Foto: Galo Naranja | Flickr

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03 Setembro 2019

Os Acordos de Paz na Colômbia sofrem um novo tropeço. Em comunicado, a Comissão da Verdade, dirigida pelo jesuíta Francisco De Roux, insta os colombianos a se unirem na construção de uma paz verdadeira.

O comunicado da Comissão da Verdade é assinado por Francisco De Roux e publicado em 29-08-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis o comunicado.

Frente à decisão de um grupo de ex-combatentes das FARC, encabeçado por Iván Márquez e Jesús Santrich de retomar a luta armada, a Comissão para o Esclarecimento da Verdade, a Convivência e a Não Repetição deseja fixar sua posição frente ao povo colombiano e a comunidade internacional:

1. A Comissão da Verdade rechaça a decisão tomada no dia de hoje por esse grupo de ex-combatentes de retomar o caminho do confronto armado. Não se constrói a paz convocando um novo ciclo de guerra, de consequências imprevisíveis. A construção da paz é um processo difícil, custoso e com muitos altos e baixos e a responsabilidade de todos é tratar de superar as dificuldades e persistir mesmo em meio a elas. A Comissão convida aos que tomaram essa decisão para reconsiderarem e se reintegrarem ao processo de construção da paz.

2. A Comissão ressalta a importância e o valor dos êxitos obtidos com o atual processo de paz, entre eles: o abandono das armas, a desmobilização efetiva e o compromisso da imensa maioria dos ex-combatentes das FARC com os acordos assinados em Havana; o funcionamento efetivo do Sistema desenhado em tais acordos para evitar a impunidade, esclarecer a verdade do ocorrido e buscar os desaparecidos; a presença do partido político FARC no Congresso da República e no processo eleitoral; a redução de muitas formas de violência e a sensação de tranquilidade na maioria dos municípios do país antes afetados gravemente pela violência derivada do conflito armado. A Comissão convida os colombianos e colombianas, as Nações Unidas e a comunidade internacional a valorizarem, cultivarem e salvaguardarem essas conquistas.

3. A Comissão reconhece as dificuldades do atual processo de paz e vê com especial preocupação o assassinato de líderes sociais. Convida a todas as instâncias do Estado e a todos os atores implicados a cumprirem e implementarem a integralidade do acordado.

4. Nessa difícil conjuntura devemos nos unir para valorizar o que foi alcançado, superar as polarizações políticas e trabalhar pela construção de uma paz verdadeira em vez de destruir e fomentar o ódio e o confronto.

Consciente de suas responsabilidades no esclarecimento da verdade do ocorrido no conflito armado, a Comissão seguirá cumprindo sua tarefa, escutando e acompanhando a todas as vítimas, convocando à convivência nos territórios em condições de equidade e dignidade, e alimentando a esperança de um país em paz.

Assina,
Francisco De Roux,
Presidente.

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