“Preservar o planeta é uma causa não apenas ambiental, mas econômica”

Foto: Enaldo Valadares/ Wikimedia Commons

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04 Agosto 2018

Durante o IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), André Trigueiro falou sobre a importância dos negócios de impacto.

A reportagem é publicada por Fundação Grupo Boticário, 02-08-2018.

Na abertura do segundo dia do IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), que acontece até o dia 2 de agosto em Florianópolis (SC), o jornalista e professor da PUC-RJ André Trigueiro falou sobre “A Relevância das Áreas Protegidas para a Sociedade”. Além da conferência, o dia também contou com painéis e simpósios sobre temas como áreas protegidas, conservação dos oceanos, ecoturismo e investimentos de impacto – todos relacionados ao mote do Congresso promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza: “Futuros Possíveis: Economia e Natureza”.

A mediação da palestra de Trigueiro ficou a cargo do também jornalista Alexandre Mansur, que é membro do Conselho Curador da Fundação Grupo Boticário, e de Marcia Hirota, diretora executiva da SOS Mata Atlântica. Logo na abertura, André falou sobre a importância das estratégias de conservação e os caminhos para que os objetivos da área ambiental sejam alcançados.

Para ele, o maior desafio é encontrar um modelo de desenvolvimento que não seja degradador, que apenas explore os recursos naturais sem “devolver” nada. “Além disso, a nossa justiça precisa ser mais exemplar e punir os crimes ambientais que têm acontecido em importantes áreas protegidas. Entre o preto e o branco não tem cinza. O que é errado é errado. Não podemos mais aceitar a criação desse tipo de jurisprudência”, enfatizou.

Trigueiro motivou todos os congressistas ao dizer que o mundo passa por uma grande mutação. “Três fatos ocorridos em 2015 deram início a uma nova Era no planeta: as ODS’s (Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável), a ‘Laudato Si’ (segunda encíclica do Papa Francisco que tem como tema central a ecologia) e o Acordo de Paris (compromisso assinado por mais de 150 países para atuar no enfrentamento da mudança global do clima). Podemos nos assustar ao olhar a fotografia, mas precisamos olhar para o filme. Ou seja, para o que já caminhamos e para o que ainda temos pela frente. E agradecer por estarmos vivendo esse novo momento, que nos enche de esperanças”, ressaltou.

Além disso, o jornalista deu inúmeros exemplos do papel preponderante e da ajuda que as redes sociais e as novas estratégias de comunicação podem oferecer às causas da sustentabilidade. Entre os casos citados estão a campanha contra a extinção de uma reserva ambiental da Amazônia (Renca), que contou com a participação da modelo Gisele Bündchen e da cantora Ivete Sangalo, entre outros artistas; o engajamento de diversas personalidades na proteção da Escarpa Devoniana, no Paraná; e o posicionamento contrário dos servidores do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) em relação aos nomes indicados para comandar a instituição – “que não tinham know-how para exercer o cargo”.

Durante a explanação, Trigueiro falou ainda sobre a importância dos pagamentos por serviços ambientais e da necessidade de investimentos e políticas públicas para alavancar o ecoturismo. “Não adianta falarmos apenas de meio ambiente. Precisamos entender de economia e mostrar que é um bom negócio proteger a natureza, gerando negócios, emprego e renda”, ressaltou.

Uma das formas seria promover os parques nacionais, como acontece em outros países, que contam com uma infraestrutura melhor e ações de marketing bem elaboradas. “É necessário utilizarmos mais inteligência na gestão dos recursos naturais. Outros lugares, com menos recursos naturais, fazem mais que a gente. Precisamos nos inspirar nesses modelos”, argumentou.

Segundo Trigueiro, o Brasil também precisa de uma política tributária e fiscal mais moderna e alinhada à nova economia. “Não adianta apenas favorecer os produtos descartáveis, mas incentivar a produção e o consumo de insumos reutilizáveis, por exemplo. Tem que ser política pública de longo prazo. Não é uma política de governo. É necessária uma política de Estado. Uma causa verdadeira e contínua. E nesse aspecto ainda temos muito por fazer”, finalizou.

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