Belt and Road: Pesquisador adverte que programa de infra-estrutura da China é o ‘projeto ambientalmente mais arriscado na história da humanidade’

Mapa do projeto One Belt and One Road Initiative | Fonte: Wikimedia Commons

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06 Junho 2018

Um especialista global em infraestrutura diz que o plano da China de cruzar metade da Terra com projetos massivos de transporte e energia é ambientalmente o empreendimento mais arriscado já empreendido.

A informação foi publicada por James Cook University e reproduzida por EcoDebate, 04-06-2018. A tradução é de Henrique Cortez.

“A China tem enormes ambições”, disse o professor William Laurance, da Universidade James Cook, na Austrália. “Mas com isso vem enormes responsabilidades.”

Escrevendo na revista Nature Sustainability, o Professor Laurance se juntou a uma equipe internacional pedindo à China que empreendesse um rigoroso planejamento estratégico antes de embarcar em sua “Belt and Road Initiative”, que abrangerá pelo menos 64 países da Ásia, África, Europa e região do Pacífico.

Em meados do século, o Belt and Road poderia envolver 7.000 projetos de infraestrutura e investimentos de US $ 8 trilhões, disseram os pesquisadores.

Segundo a WWF, a iniciativa poderia impactar mais de 1.700 áreas críticas de biodiversidade e centenas de espécies ameaçadas.

“A China alega que o Belt and Road será um modelo para o desenvolvimento responsável, mas isso exigirá que ela mude fundamentalmente o modo como faz negócios internacionalmente”, disse o professor Laurance.

“Muitas empresas chinesas e financistas que operam no exterior são mal controlados pelo seu governo – em grande parte porque são muito lucrativos”, disse ele.

“Nas últimas duas décadas, tenho visto inúmeros exemplos de exploração agressiva e até mesmo predatória por empresas chinesas, especialmente em nações em desenvolvimento com fraco controle ambiental.”

Os autores disseram que a China tem uma oportunidade única de mudar seu modelo de desenvolvimento e se tornar um líder mundial em sustentabilidade.

“A China está fazendo um trabalho muito melhor de melhorar as salvaguardas ambientais dentro da China do que internacionalmente”, disse o professor Laurance. “A China tem uma oportunidade única, mas se for ‘business as usual’, então acho que os custos para o meio ambiente e os riscos econômicos para os investidores podem ser assustadores”.

Mapa do projeto Chinês (Fonte: EcoDebate)

Referência:

Fernando Ascensão, Lenore Fahrig, Anthony Clevenger, Richard Corlett, Jochen Jaeger, William F. Laurance, and Henrique Pereira (2018). Environmental challenges for the Belt and Road Initiative. Nature Sustainability.

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