''Feminicídio'': Francisco contra a violência contra as mulheres

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22 Janeiro 2018

“Quero convidá-los a lutar contra uma praga que afeta o nosso continente americano: os inúmeros casos de feminicídio. E são muitas as situações de violência que são silenciadas por trás de tantas paredes. Convido-os a lutar contra essa fonte de sofrimento, pedindo que se promova uma legislação e uma cultura de repúdio a toda forma de violência”. Assim disse Francisco, nesse sábado, 20, em Trujillo, a cidade peruana da eterna primavera, usando pela primeira vez no seu pontificado o termo “feminicídio”, embora várias vezes ele falou contra a violência contra as mulheres.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 21-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Trujillo é uma cidade que sofre particularmente com essa praga. E Francisco quis mostrar de que lado está, desposando a batalha que também é de muitos bispos em favor de uma mudança cultural de mentalidade.

Muitas vezes, até mesmo em seu interior, a Igreja foi morna a esse respeito. Bergoglio não a quer assim. A urgência da valorização da mulher na Igreja é um tema presente há muito tempo.

A Mulieris dignitatem, de João Paulo II, por exemplo, o corajoso manifesto da dignidade e da emancipação feminina, já deu uma leitura entusiasta, entre outros, de Maria Antonietta Macciocchi, autora de Pour Marx. Enquanto Francisco, ao voltar do Rio de Janeiro em 2013, disse aos jornalistas: “Uma Igreja sem as mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria”.

E, recentemente, o próprio Bergoglio mostrou-se aberto à ideia de criar uma comissão que estude a possibilidade do diaconato para as mulheres, entendido não como réplica do diaconato masculino, mas como um ministério original medido sobre os carismas próprios da presença feminina.

Na cidade devastada em 2017 pelas inundações do El Niño, com milhares de pessoas afetadas e 78 mortos, Francisco lembrou que tudo isso “interpela e muitas vezes põe em dúvida a nossa fé”, mas “não temos um Deus alheio àquilo que sentimos e sofremos, ao contrário, no meio da dor, ele nos oferece a sua mão”.

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