Fé, milagres e negócios: Santuário de Medjugorje será inspecionado

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Fevereiro 2017

O Santuário de Medjugorje acabou debaixo da lupa do Papa Bergoglio. Será um bispo polonês, um dos mais conservadores, Henryk Hoser – com um passado como missionário na África e como membro da Propaganda Fide –, que jogará luz sobre as atividades pastorais e econômicas ligadas à realidade religiosa europeia mais misteriosa. “Eu aceitei uma missão nada fácil”, comenta o religioso.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 12-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há décadas, nos arredores de Medjugorje, chocam-se visões opostas, bispos céticos sobre as aparições de Nossa Senhora, freis rebeldes e suspensos a divinis, videntes que se consideram enviados pela Providência, curas nunca verificadas, e até mesmo pessoas que arruinaram a visão olhando para o sol.

O mandato

Tecnicamente, Hoser é um visitador, mas, de fato, é um inspetor com um mandato bem específico: redigir um relatório abrangente sobre o funcionamento do santuário, sobre as suas atividades pastorais, sobre as suas receitas econômicas e tudo gira em torno delas, do negócio dos hostels – que brotaram como fungos nas últimas décadas – às agências de viagens religiosas, até chegar, naturalmente, a verificar como os sacerdotes acolhem as multidões que chegam abundantemente à cidadezinha bósnia perto de Mostar.

Mas não caberá ao inspetor papal investigar as aparições. Para isso, já existe o longo relatório da comissão do cardeal Ruini, entregue ao Papa Ratzinger há cinco anos. Antes de poder dar a última palavra definitiva sobre a veracidade das aparições, o Papa Bergoglio (que herdou o relatório de Ruini, mas ainda não o divulgou) quer ver claramente e, justamente para isso, precisa de uma intervenção super partes e inflexível como a do bispo de Varsóvia, Hoser.

O fluxo de peregrinações começou sob o comunismo, em 1981, quase às escondidas. Na época, em Medjugorje, não havia nada. Depois, ela progressivamente se expandiu, até assumir uma importância enorme para a Igreja. Para além do ceticismo, o santuário bósnio atesta uma realidade religiosa extensa demais para ser fechada ou redimensionada através de um parecer negativo. A religiosidade popular transformou aquela árida colina de entulhos em um lugar de conversões e curas.

Em 1991, os bispos da Iugoslávia assinaram em Zara uma prudente declaração para tomar distância: “Com base nas pesquisas realizadas até aqui, não é possível afirmar que se trata de aparições e fenômenos sobrenaturais”.

Os videntes

Os seis videntes principais (aos quais se somaram posteriormente outros dois) afirmam ver Nossa Senhora e falar com ela. Eles a descrevem sobre uma nuvem, com um rosto sorridente, as sobrancelhas bem cuidadas, um vestido de túnica cinza-azulado.

Em 1981, eles eram todos adolescentes. Hoje, são casados, têm filhos, vivem perto do santuário, e diz-se que gerenciam indiretamente hotéis e outras atividades econômicas.

Miriana vê Nossa Senhora no dia 18 de março de cada ano. Jakov, a cada Natal. Marija, Vicka e Ivan têm visões mais frequentes. Essas aparições marianas são recordes e vão entrar para a história como as mais longas e as mais frequentes jamais ocorridas.

Para alguns dos videntes, a Nossa Senhora, por um certo período, aparecia todos os dias, independentemente do lugar onde se encontrassem. Até mesmo a bordo de aviões.

Sobre esse tema, a Igreja se dividiu. Wojtyla tomou tempo, Ratzinger dispôs uma investigação, e agora o Papa Francisco deverá enfrentar a questão. Em algumas ocasiões, ele mesmo se mostrou cético: Nossa Senhora não é carteira.

“A Nossa Senhora não é a chefe de uma agência dos correios que, a cada dia, manda uma carta diferente, dizendo: ‘Meus filhos, façam isto e, depois, no dia seguinte, façam aquilo’. Não, não essa. A Nossa Senhora verdadeira é aquela que gera Jesus no nosso coração. Essa moda da Nossa Senhora superstar, como uma protagonista que coloca a si mesma no centro, não é católica.”

Leia mais: