Bolívia abre arquivos de ditaduras militares

O chanceler boliviano, David Choquehuanca. Foto: Carlos Barros/ABI

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: João Flores da Cunha | 08 Dezembro 2016

O Ministério das Relações Exteriores da Bolívia tornou públicos documentos secretos do período entre 1966 e 1979, em que o país foi governado por diferentes ditaduras militares. A cerimônia de abertura dos arquivos foi realizada no dia 21-11. Os documentos contêm informações sobre o Plano Condor, um acordo entre os governos militares de países da América do Sul e os Estados Unidos para eliminar dissidentes e opositores políticos.

Os documentos se referem a um período turbulento na história da Bolívia, que foi marcado por sucessivos golpes militares, instabilidade política e repressão violenta. O país teve cinco presidentes entre 1969 e 1971. O quinto deles foi o general Hugo Banzer, que, após liderar uma rebelião contra o então presidente, general Juan José Torres, governou como ditador até 1978.

Torres foi assassinado no exílio em Buenos Aires em 1976, após o golpe que instaurou a ditadura de Jorge Videla. Sua morte ocorreu no marco do Plano Condor.

O chanceler boliviano, David Choquehuanca, destacou na cerimônia de abertura dos arquivos que o período abarca o Plano Condor, a “etapa latino-americana mais sangrenta e cruel da ação coordenada dos ditadores, com apoio dos Estados Unidos, para a eliminação de milhares de pessoas”. Choquehuanca afirmou que a desclassificação dos documentos tem o objetivo de “recuperar a memória histórica dos acontecimentos do período das ditaduras”. As informações dos documentos diplomáticos podem ajudar a esclarecer a verdade sobre a ação dos diplomatas naquele momento, segundo o chanceler.

De fato, algumas informações já vêm surgindo à tona nos últimos dias. O jornal La Razón, de La Paz, revelou documentos que mostram que o padre jesuíta Luis Espinal era vigiado e perseguido pelas forças de segurança desde 1972.

Nascido na Espanha, o sacerdote chegou na Bolívia em 1968, onde realizou trabalho humanitário e jornalístico. Opositor dos regimes militares, ele foi sequestrado e assassinado por paramilitares em La Paz em 1980. “Era considerado indesejável pelo governo de Hugo Banzer e, ao que parece, eles tinham a intenção de eliminá-lo porque defendia os pobres e rejeitava as ditaduras”, afirmou ao La Razón a diretora do Arquivo Nacional do Ministério de Relações Exteriores, Raquel Lara.

Leia mais: